Billie Holiday na militância de Lee Daniels

(Fotos: Divulgação)

No fim do dia da sua dupla indicação aos Globos de Ouro, às estatuetas de melhor atriz dramática (Andra Day) e melhor canção original (“Tigress & Tweed”), o original Hulu, que em Portugal chegará aos cinemas, “The United States vs. Billie Holiday” marcou a passagem da sua protagonista e do seu realizador, Lee Daniels, pelos bancos virtuais da American Cinematheque, onde foram sabatinados acerca dos modelos de construção de um biopic.

Daniels não fazia longas-metragens desde 2013, quando o seu “The Butler” fez fortuna nas bilheteiras. Depois disso, dedicou-se a séries como “Empire” e “Star”, e fez o telefilme “Good People”. O seu regresso ao formato dá-se pela história de uma diva do jazz: Eleanora Fagan (1915 – 1959), aka Billie Holiday. O seu foco é a luta dela contra o racismo, a partir do veto à canção “Strange Fuit”, cuja letra revive um linchamento.

Não importa qual seja a história que vá contar, ela sempre será imbuída de um olhar sobre um presente, de um pouco do agora. Existe aqui um olhar sobre os anos 1940 e 50, mas há uma camada relativa ao hoje”, disse Daniels ao crítico Jim Hemphill, complementado por Andra Day, uma cantora que se firma como interprete no seu desempenho. “Eu sou uma mulher negra nos EUA. Sei o que é ser invisível”, disse Andra. “A voz de Billie é perfeita. Ainda não vi o filme, Daniels, e espero vê-lo contigo, talvez a versão director’s cut”.

Apoiada por uma requintada direção de arte, Andra encarna a luta de Billie para poder se apresentar sem o jugo da censura, encarnada na severa figura do agente Harry Anslinger (vivido por Garrett Hedlund), responsável por uma caça às drogas nos EUA. O vício da cantora em heroína é um dos motores da sua repressora atitude em relação a ela. Mas o racismo é o principal motor. “Sempre que se pensa em Billie, pensamos em jazz, na heroína, mas nunca numa atuação dela como militante racial. E foi esse o caminho escolhido neste filme”, disse Daniels. “E conforme a narrativa avança, temos outras visões dela”. 

Últimas