Morreu aos 101 anos o argumentista e produtor Walter Bernstein, um dos nomes constantes do panfleto conservador “Red Channels: A Reportagem da Influência Comunista no Rádio e Televisão“, lançado em 1950, que nomeava atores, escritores, músicos, jornalistas e outros no contexto da pretensa manipulação comunista na indústria do entretenimento.
Bernstein “sobreviveu” a essa catalogação e interdição através da escrita de guiões para a televisão recorrendo a pseudónimos. Em 1959 trabalhou para Sidney Lumet no guião de “Uma Certa Mulher“, e para Robert Parrish em “Quem Ventos Semeia“.
Para George Cukor escreveu “Agarrem Essa Loira” (1960), e para Michael Curtiz “Escândalo na Corte” (1960). Também trabalhou em “Os Sete Magníficos” (1961), e John Frankenheimer & Arthur Penn (O Comboio, 1964), mas não foi creditado, e reencontraria Lumet em “Missão Suicida” (1964).
Muitas das suas experiências de ter pertencido à lista negra de Hollywood foram apresentadas em “O Testa de Ferro” (1976), filme protagonizado por Woody Allen e realizado por Martin Ritt, com quem antes já tinha colaborado antes em “Noites de Paris” (1961) e “Os Homens Nascem Iguais” (1970). Pelo filme de 1976 foi nomeado ao Oscar, mas perderia a estatueta para Paddy Chayefsky (Escândalo na TV).

Em 1980, escreveu e realizou “Jogar para Ganhar“, mas foram precisos sete anos para voltar a trabalhar para o cinema, neste caso através de “A Casa Suspeita” (1987), onde regressava ao tema da lista negra de Hollywood. “Malucos no Divã” (1988) foi o seu último guião para cinema, passando a trabalhar em exclusivo para a televisão. Foi em 1991 que realizou o telefilme “Seduções Escaldantes” e, em 2011, criou e escreveu a série “Hidden“, naquele que viria a ser o seu último projeto.
Até à sua morte, Bernstein serviu ainda como professor convidado e orientador de teses na Tisch School of the Arts da Universidade de Nova York.

