Criticado por muitos devido à extrema violência que os seus filmes ostentam, “A Day of Violence”, de Darren Ward, é um thriller criminal inspirado nos filmes Italianos monstruosamente violentos dos anos 70 e 80, o Giallo, que teve como expoentes máximos os trabalhos de Mario Bava, Lucio Fulci e Dario Argento.
“A Day of Violence” retrata o último dia da vida de Mitchell Parker, um cobrador de dívidas, que um dia – enquanto faz o seu trabalho – depara-se com 100 mil euros em dinheiro. Depois de ser apanhado por uma câmara de vigilância, Mitchell é perseguido pelos donos desse montante, que são muito piores do que as pessoas para quem ele trabalhava.
O filme estreia hoje no Fantasporto na secção Selecção Oficial Première & Panorama, e o c7nema teve a oportunidade de falar com o realizador Darren Ward, que nos explicou mais sobre o filme e falou da razão que o levou a fazer um filme como “A Day of Violence”.
Como nasceu “A Day of Violence”?
Em 2006 fui pai pela primeira vez, o que me deixou a pensar sobre o que uma pessoa faria por causa de uma criança. Ok, talvez a personagem Mitchell seja um exagero, mas demonstra o que uma pessoa é realmente capaz de passar pela família.
O filme é também inspirado nos violentos thrillers criminais Italianos, no fim dos anos 70 e princípios dos anos 80.
Como foi o processo de casting neste filme? Já conhecia os actores?
“A Day of Violence” foi o quinto filme que fiz com o protagonista Nick Rendell (Mitchell). Alguns dos outros actores, também já tinha trabalhado antes, é o caso de Victor D. Thorn e Tina Barnes.
No entanto as sessões de castings foram para preencher muitas outras personagens em “A Day of Violence”. Christopher Fosh fez um excelente trabalho na protagonização da personagem “Chisel”, assim como o Fabrizio Santino no papel de “Fab”. Todos eles se entregaram cegamente ao trabalho e eu estou muito agradecido pelo resultado final.
Estamos extremamente contentes por termos “roubado” a grande lenda dos filmes de horror italianos, Giovanni Lombardo Radice (“Cannibal Ferox”, “City of the Living Dead”, “Cannibal Apocalypse”) que interpreta, no filme, o papel de um drogado chamado “Hopper”.
Eu sempre fui um grande fã do Giovanni e a hipótese de conhecê-lo no Myspace levou a uma grande amizade, como a que temos hoje em dia. Basicamente enviei-lhe um email com o guião, ele leu-o e telefonou-me a dizer que adorava trabalhar no filme. O resto é como dizem… história.
Sinto-me verdadeiramente afortunado por ter trabalhado, em dois dos meus filmes, com dois ícones do cinema horror Italiano (David Warbeck em ‘Sudden Fury’ e Giovanni Lombardo Radice em ‘A Day of Violence’).
Que tipo de filmes gosta e que cineastas o inspiram?
Adoro os Spaghetti Westerns, Horror, Giallo, Crime e Ficção Cientifica. Os realizadores que gosto são o Dario Argento, Lucio Fulci, Ruggero Deodata, Martin Scorsese, Brian de Palma, John Woo e Sam Peckinpah, e todos me deram inspiração para os meus filmes.
O seu filme tem sido descrito pela excessividade de cenas sexuais e violentas. Estes temas fascinam-no?
Os meus filmes carregam cenas pesadas de violência e sexo – estes são temas transmitidos no dia-a-dia pelos Média na sociedade actual. São temas que eu me sinto confortável em explorar. Os meus filmes tendem a explorar o lado negro da natureza humana e com isto a violência e o sexo, que fazem parte dela. Este é o ciclo da vida e as minhas personagem fazem parte dele.
Houve alguns filmes, como “A Serbian Film”, que foram banidos em inúmeros países. Acha que (por vezes) existe uma linha que os realizadores não devem ultrapassar, ou será que devem ser as pessoas a decidir o que devem ou não ver?
Pessoalmente sinto que, desde que ninguém se magoe de verdade durante as filmagens do filme, então ai o espectador é que deve tirar as suas próprias conclusões sobre o que está a ver. Censura é uma coisa que eu sempre fui contra quando toca a filmes.
Cresci a ver o que o Reino Unido classificava como “Video Nasties”! E eu achava como OK. Se alguém está destinado a tornar-se um assassino, assistir a filmes violentos não vai mudar nada.
Tenho lido algumas críticas boas, outras más sobre o seu filme. Interessa-lhe o que os críticos dizem?
Todos têm uma opinião, e isso é o que torna a vida interessante! Tens que fazer uma triagem das boas com as más e 85% das nossas críticas têm sido boas, o que me faz feliz!
Tens algum projecto novo em mente?
Terminei agora de escrever “Beyond Fury”, uma sequela do meu filme, de 1997, um thriller criminoso “Sudden Fury”. O filme vai fechar a minha trilogia do crime. É um thriller criminal com uma grande componente de vingança. Tem cinco vezes mais acção e violência que “A Day of Violence”, por isso preparem-se!
Procurar financiamento é o próximo passo da lista. Alguém ai?
Onde é que te vês daqui a 10 anos?
Espero que ainda a fazer filmes. Fazer filmes que possibilitem expressar-me sem compromissos.

