Fantasporto 2013: Entrevista a Rodrigo Gudiño, realizador de «The Last Will and Testament of Rosalind Leigh»

(Fotos: Divulgação)

Foi um dos filmes que preencheu a programação do Fantasporto na sexta-feira e no sábado. Parte filme de casa assombrada, parte thriller religioso e parte drama familiar, «The Last Will and Testament of Rosalind Leigh» é a fita que marca a estreia na realização de longas-metragens de Rodrigo Gudiño, um nome sempre ligado à revista de horror Rue de Morgue, que criou em 1997.

Numa entrevista ao c7nema, Gudiño fala-nos da sua transição das curtas para as longas metragens, de como nasceu «The Last Will and Testament of Rosalind Leigh», os planos que existem para o seu futuro e a forma como lida com o seu trabalho na Rue Morgue e a sua carreira de realizador. Aqui ficam as suas palavras. 

Teve muito sucesso nos festivais com as suas curtas. Quão difícil foi transitar das curtas para as longas-metragens?

Na verdade foi uma transição muito fluida já que o «The Last Will and Testament of Rosalind Leigh» é um filme muito contido com muito experimentalismo, eu diria mesmo no estilo de duas das minhas curtas: «The Eyes of Edward James»  e «The Facts In the Case of Mister Hollow».

Como nasceu a ideia para o «The Last Will and Testament of Rosalind Leigh» e como foi o processo de transformar a ideia num filme?

A ideia partiu do guião de uma curta que eu tinha e que basicamente contava toda a história sem quaisquer personagens. Achei que este guião encaixava perfeitamente numa outra história sobre solidão, particularmente uma que tinha um grande peso psicológico, por isso adaptei-a para o «The Last Will». Porém, eu sempre quis contar uma história de fantasmas a partir de uma perspectiva fora do comum e essa foi a principal razão porque embarquei neste projeto.

O «The Last Will» tem sido descrito como parte filme de casa assombrada, parte thriller religioso e, claro, um drama familiar. As pessoas dizem que prefere manter as coisas numa pequena escala, mais intima e com uma grande atmosfera de suspense. É isso que o fascina no cinema de horror? Quem são as suas principais influências no género?

Não diria que a pequena escala intima e a atmosfera de suspense seja o que me fascina mais no cinema de horror – há demasiadas coisas neste género – mas definitivamente é o que funcionava melhor para este projeto e para algumas das minhas curtas. Creio que isso tem a ver na gestão da criatividade com as limitações do orçamento, o que é sempre um problema quando começas uma carreira no cinema. Na verdade é sempre um desafio quando fazes um filme. 

Quanto às minhas influências, elas variam muito no género: Hitchcock, David Lynch, Takashi Miike, Guillermo del Toro, George Romero, Gaspar Noe, mas também gusto de realizadores fora do género, como Kubrick, Coppola, Woody Allen, Scorcese, Todd Solondz, Paul Thomas Anderson e muitos mais.

O que podia esperar a audiência do Fantasporto em relação ao seu filme?

Uma experiencia mental que exige muita atenção e a capacidade em captar o que não é mostrado e muitas vezes não é ouvido. Também ajuda se as pessoas estiverem interessadas em viajar ao seu próprio interior.

Como é conciliar o seu trabalho como realizador e o seu trabalho como diretor da revista Rue Morgue?

Escrever e realizar é muito mais criativo e instintivo do que o que faço na Rue Morgue, que basicamente é  gestão, resolver problemas e colocar o barco na direção que quero seguir, o que acaba por ser o mesmo que faço na vertente de produção de um projeto: as filmagens, o pós produção, etc…

Em 1997, alguma vez imaginou que a Revista Rue Morge se tornasse tão sucedida como é? Imaginava existir a Rue Morgue Cinema, Rue Morgue Radio ou as Rue Morgue CineMacabre Movie Nights?

Perguntam-me muitas vezes isso e sempre digo uma coisa: não, não esperava isso porque estava muito ocupado a trabalhar. Acho que é mais apropriado dizer que não tinha tempo para imaginar isso, estava demasiado ocupado. A única coisa que eu queria desde o início era a Rue Morgue Cinema. Eu sabia que queria ser um realizador antes de começar a revista. Esse foi sempre o meu plano. Tudo o resto cresceu organicamente a partir da revista.

Em 2009, numa entrevista, disse que o cinema de horror americano era provavelmente o menos interessante e que não estava de todo ao nível do cinema feito na Europa, especialmente em França e Espanha. Ainda acha isso?

Sim, acho que ainda é assim mas poderá mudar num futuro muito próximo. Tudo o que é preciso é alguém com um nível pouco usual de imaginação e uma ideia luminosa para começar uma nova vaga de filmes. E isso nunca se sabe onde vai começar. Porém, e nos dias de hoje, os realizadores de cinema de horror norte-americanos não estão a ser capazes de ter esse tipo de imaginação ou ideias.

Creio que é o argumentista de «The Forsaken Sideshow». Qual é o estado dessa produção?

O «Forsaken Sideshow» é um projeto da minha amiga Melantha Blackthorne, que me pediu para contribuir para o projeto, mas não é algo que saiba muito como está.

Tem outros projetos em mente?

Estou neste momento a escrever um novo guião, que vai realmente ser único na sua forma de filmar. Nunca vi um filme como este. E também será muito assustador. A parte disso, estou a trabalhar no remake de «Cut Throats Nine» e espero ter novidades sobre o projeto brevemente.

E também escrevi uma sequela do «The Last Will and Testament of Rosalind Leigh», o que é estranho porque nunca escrevi aquele guião com uma sequela em mente. Porém, um dia acordei com uma história muito triste na minha cabeça e decidi escrevê-la.

Onde se vê daqui a 10 anos?

A publicar a Rue Morgue, a fazer filmes, a escrever guiões na Riviera Maya (México) e talvez… a falar contigo outra vez 

 

 

 
Link curto do artigo: https://c7nema.net/kc1k

Últimas