Vendido desde o Festival de Sundance como um thriller de aventura de tonalidades soturnas, num eco histórico da crise da Bolsa de Valores de Nova Iorque nos anos 1920, The Weight (2026) anuncia-se em alta voltagem numa sequência passada numa ponte de tábuas instável. Nela, Samuel Murphy, envolvido num confronto com a polícia, atira barras de ouro aos companheiros, à beira de uma queda, para cumprir uma missão que lhe pode valer a liberdade.
Ethan Hawke encarna essa personagem num registo próximo do heroísmo clássico, explorando a intensidade que recentemente lhe valeu mais uma nomeação ao Óscar por Blue Moon (2024), onde interpretava um letrista confrontado com a finitude. Aqui, surge como um pai determinado que, preso, procura uma forma de reencontrar a filha pequena. Há nele um heroísmo de ressonância helénica, temperado por um realismo que o realizador Padraic McKinley — montador prolífico que se estreia na realização — impõe à produção, ambientada nos anos 1930. Por vezes, esse peso realista trava o impulso que o filme pede.
Com uma estrutura dramatúrgica próxima de Le Salaire de la Peur (1953), The Weight (2026) leva-nos ao Oregon de 1933. Nesse ano, Samuel Murphy (Hawke) é separado da filha e enviado para um campo de trabalhos forçados. O diretor Clancy, interpretado por Russell Crowe numa composição rigorosa, propõe-lhe contrabandear ouro através da floresta em troca de liberdade antecipada. Um grupo de reclusos acompanha-o, desde que aceite liderá-los. Clancy reconhece nele um líder nato. A partir da aceitação da proposta até ao meio da jornada, o filme encadeia peripécias intensas.
O problema do argumento, assinado por Matthew Booi, Shelby Gaines e Matthew Chapman, reside na tentativa de atenuar excessivamente as virtudes da personagem, talvez para evitar a armadilha do “salvador branco”. Esse cuidado moral acaba por diluir a força dramática do protagonista.
McKinley recria a época da Grande Depressão com um olhar sociológico que compõe um retrato sólido do período. A fotografia de Matteo Coco trabalha os enquadramentos com inteligência, alternando entre intimismo nas cenas dialogadas e planos abertos nas sequências de ação. A banda sonora dos irmãos Latham e Shelby Gaines sustenta o ritmo, oferecendo uma espécie de Deliverance (1972) em escala mais contida, mas igualmente marcada por reviravoltas bruscas.
Hawke impõe-se como um titã no arquétipo do herói relutante e entrega momentos à altura dessa tradição — sempre que o excesso de prudência ideológica não lhe limita o alcance.



















