Fantasporto 2011: Entrevista a Alexander Adolph, realizador de ‘The Last Employee’

(Fotos: Divulgação)

Estreia hoje, quinta-feira, no Fantasporto o filme alemão “The Last Employee”, do realizador Alexander Adolph, um thriller de terror psicológico cujo objetivo é atrair o espectador para um mundo de perigo e choque, através de um processo de ameaça e incidentes assombrosos.

Galardoado com o prémio Mélies d’Argent no Festival de Leeds de 2010, The Last Employee conta-nos a história de um advogado, David, que, a fim de poder sustentar a sua família, aceita um novo trabalho como liquidatário de uma empresa onde se vê com a missão de despedir todos os seus empregados. Mas como poderá ele lidar com o peso da dor dessas pessoas? David vê-se perseguido pelo fantasma de uma das empregadas, que transforma a sua vida num pesadelo.

O c7nema teve a oportunidade de entrevistar o realizador alemão Alexander Adolph, que nos falou um pouco mais sobre The Last Employee.


De onde surgiu a ideia para “The Last Employee”?

Uma vez conheci o chefe de uma companhia de seguros, que de um dia para o outro despediu quase todos os seus empregados, à exceção de uma secretária. Esta mulher tinha tanto medo de estar num escritório sem vida, com as cadeiras e mesas vazias, que se recusou a ficar lá sozinha. Ao meio-dia, quando o chefe saiu, ela foi para casa, porque estava mesmo assustada. Mais tarde, vim a descobrir que os escritórios vazios eram considerados lugares assombrados e que isso era um sintoma muito comum, bem conhecido pelos psiquiatras. Foi aí que comecei a desenvolver uma história sobre o vazio e o mal – passada na Alemanha dos nossos dias – em creches, supermercados, apartamentos da classe média e escritórios.


Li algumas críticas que diziam que o teu filme é uma resposta alemã aos filmes de terror japoneses. Os filmes japoneses de terror inspiram-te?

Definitivamente não é uma resposta aos filmes de terror asiáticos. Apesar de eu admirar bastante esse tipo de cinema, e de nós termos um fantasma e um espaço em The Last Employee construído de forma muito minimalista, este é um drama psicológico e social sobre a culpa, o desemprego e os problemas normais de um casal de meia-idade.

A única diferença é: não queria contar este tema da forma como as histórias são geralmente contadas na Alemanha. Portanto, usei elementos de filmes de terror, usei sustos e até sangue e tripas para aprofundar o desespero do herói.


Quando escreveu o guião já tinha alguns atores em mente? Como foi o processo de casting?

Escrever arduamente o guião é como atuar na cabeça: preocupo-me bastante com as personagens, como se sentem, como falam, e tento não pensar no elenco até acabar de escrever.

Para The Last Employee houve um casting com quatro atores famosos na Alemanha que queriam interpretar David, mas Christian Berkel tornou-se imediatamente o meu favorito. Ele é uma grande estrela na Alemanha e já trabalhou com Tarantino, Bergman e Tavernier, só para citar alguns (e faz uma surpreendente e maravilhosa atuação como David).

Quando já estava decidido que Christian iria interpretar David, fizemos um casting para a sua mulher e para o seu filho. Estávamos a criar uma família disfuncional. Por fim, Jule Ronstedt, uma grande atriz, tornou-se a esposa amada por todos e a carinhosa mãe.

Fizemos também um casting para o fantasma e escolhemos Bibiana Beglau pela sua intensidade. Ela é uma estrela dos palcos em Berlim e Hamburgo.


Está contente com o resultado final do filme?

O filme é muito próximo do livro, que era o que pretendia. E estou muito orgulhoso das equipas de cada departamento e do trabalho dos atores. Não quero julgar as reações do público, mas notei que normalmente o filme tinha um grande impacto nos espectadores.


Hollywood adora fazer remakes de filmes asiáticos e europeus. Se algum estúdio americano te pedisse para fazer uma versão para o público americano, o que farias?

Adoraria.


Como é ser cineasta agora? É difícil obter financiamento?

Nunca foi fácil. Especialmente quando estás a fazer coisas não comuns como The Last Employee, um género que ainda não existe na Alemanha.


Estás a desenvolver algum projeto novo? (Se sim, podes falar mais sobre isso?)

No Outono vou realizar um thriller para televisão. Para o grande ecrã será uma comédia.

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