O primeiro filme a ser anunciado para a competição pelo Castelo de Prata do FEST: Festival Internacional de Cinema Jovem de Espinho foi “About the Pink Sky” de Keiichi Kobayashi, vencedor do prémio de Melhor Filme no prestigiado Festival Internacional de Tóquio depois de uma serie de aclamadas presenças em Sundance, Roterdão e Hong Kong.
O filme conta-nos a história de Izumi, uma jovem estudante como outra qualquer, que um dia encontra uma carteira cheia de dinheiro na rua. Em vez de a devolver de imediato ao seu proprietário, resolve partilhar um pouco do seu conteúdo. Eventualmente decide devolver a carteira ao seu dono, Koki, que ao reparar na falta de parte do dinheiro começa a exigir uma serie de favores a Izumi. Um deles é que Izumi faça um jornal constituído apenas de boas notícias.
Esta primeira longa de Keiichi Kobayashi é inquestionavelmente um fenómeno estético, a milhas do comportamento errático de que nos habituaram os retratos da juventude japonesa em cinema. Filmado na íntegra num preto e branco acinzentado, esta produção de ritmo lento, de um dos mais promissores realizadores nipónicos, é uma viagem cativante ao mundo alternativo de uma adolescente oriental.
O c7nema falou com Kobayashi na semana anterior à estreia nacional deste atípico filme oriental, uma história de amores e sonhos de juventude capturada a preto e branco mas dos diálogos mais coloridos do cinema japonês contemporâneo.

De onde veio a história para ‘About the Pink Sky’?
A ideia veio de uma imagem divertida que eu tinha na minha cabeça de jovens raparigas (a típica estudantes de liceu japonesas) a discutirem inconscientemente sobre a sua moral e os seus valores de ética.
Acho que o conceito de “o que dás é o que recebes” é a base desta história.
Porque filmar a preto e branco esta história tão colorida?
O “agora” está sempre a tornar-se passado. O presente é o passado do futuro. Este filme tenta capturar essa ideia com o recurso do preto e branco.
Não vale a pena termos pena de nós próprios. Temos de pensar mais no futuro. Apesar desta mensagem não ser fácil de transmitir aos espectadores, eu pensei que o preto e branco iria dar mais profundidade ao comportamento das raparigas.
Eu acredito que há um número de coisas na história que se tornam mais evidentes a preto e branco, que o público não teria reparado se o filme fosse a cores.
Diria que este é um filme “Nouvelle Vague”?
Como vivemos numa era em que qualquer um pode comprar câmara de qualidade a bom preço, penso que o cinema independente vai crescer cada vez mais.
Se excetuarmos o uso do digital em vez de filme, penso que ‘About the Pink Sky’ foi feito no mesmo espírito e método do cinema da ‘Nouvelle Vague’ sim. Com pouco recursos e muito improviso – e muito espírito de equipa.
Esperava vencer o Tokyo Film Festival e ter o teu filme em certames tão grandes como Sundance e Roterdão?
Sinceramente, não esperava. Era um filme feito para mostrar o meu potêncial. Creio que o meu avô deu-me uma ajuda nesta aventura e tudo correu melhor que eu esperava.
Achas que devia haver um jornal de boas notícias na vida real também?
Seria divertido ter como piada. Mas não penso que seria viável.
O conceito de felicidade difere de pessoa para pessoa, por isso seria muito difícil fazer um noticia de 100% boas notícias.
Vivemos num mundo onde um pensa mal do que o outro pensa bem, e a perceção é tudo.
Quanta liberdade tinham as atrizes a fazer estas personagens e criarem estes longos diálogos?
Começamos a ensaiar três meses antes de filmar. Eu fui muito exigente em cada ação e cada movimento, por isso sei que os atores sofreram bastante. Todas as deixas de diálogos vem do argumento, rigidamente.
Sentiste a tentação de colocar cor no fumo que sai da chaminé no desenlace?
Sim, pensei nisso. Mas senti que queria que os espectadores se focassem na subtileza das emoções das personagens e não num truque visual.
Tens algum novo projeto?
O meu próximo filme é sobre um casal japonês de Otaku que visita Tóquio em busca de um amigo de longa data. Estamos no processo de casting e espero começar a filmar este Inverno.

