Mostra de São Paulo renova-se online e oferece prémio honorário aos funcionários da Cinemateca Brasileira

(Fotos: Divulgação)

Laureado com o Grande Prémio no Festival de Veneza e aclamado na sua passagem por San Sebastián, “Nuevo Orden”, do mexicano Michel Franco, vai inaugurar a 44ª edição da Mostra de S. Paulo, agendada de 22 de outubro a 4 de outubro, coms 198 filmes online e em sessões no Belas Artes Drive-in. “É um ano de luto e a longa-metragem de Franco é um filme forte, da América Latina, que reflete as questões que o Brasil tem”, diz Renata de Almeida, diretora do evento paulista, que vai dedicar seu troféu honorário, o Prémio Humanidade, ao ícone do documentário Frederick Wiseman, de quem será exibido “City Hall”. “Vamos dar também um Prémio Humanidade para os funcionários da Cinemateca Brasileira, um prémio muito bem dado. O prémio foi criado para exaltar artistas que colaboram com a nossa coexistência. Mas ele faz-me lembrar do (escritor indígena) Ailton Krenak dizendo que o nosso mundo não é nosso, ele nos é emprestado. E isso me fez pensar no património cultural. É nosso dever mantê-lo”.

Vencedor do Urso de Ouro da Berlinale 2020, a longa iraniana sobre as sequelas do autoritarismo “Não Há Mais Algum” (“There Is No Evil”), de Mohammad Rasoulof, estará na seleção, que traz curtas inéditas de Jafar Panahi, Guy Maddin e Jia Zhangke (responsável pelo cartaz do festival deste ano). Coprodução entre Brasil e Portugal, O Ano da Morte de Ricardo Reis”, de João Botelho, com Chico Diaz no universo de José Saramago, vai ser apresentado no pacote de pérolas que Renata de Almeida garimpou. Com o selo de Cannes, “True Mothers”, da japonesa Naomi Kawase, vai ser projetado na Mostra, que vai realizar uma retrospetiva do realizador baiano Fernando Coni Campos (1933-1988), famoso por produções como “O Mágico e o Delegado”, de 1983. Hoje com 89 anos, Ruy Guerra, que surpreendeu Roterdão com a sua nova longa, “Aos Pedaços” (vencedor do troféu de melhor direção em Gramado, há duas semanas), vai ministrar uma masterclass no cardápio de atrações selecionadas por Renata, que vai ainda conceder uma distinção especial: o Prémio Leon Cakoff, para a produtora Sara Silveira, pelo conjunto da sua obra. Sara produziu um dos concorrentes aos Ursos de Berlim: “Todos os Mortos”.

É uma homenagem mais do que merecida, pois ela representa o cinema de São Paulo”, disse Renata, numa conferência de imprensa via YouTube. “A Sara tem um faro para primeiros filmes. Ela consegue revelar diretores. Falam que a Mostra é resiliente, mas resiliente é a Sara”.

Aclamado em Toronto e em San Sebastián, “Casa de Antiguidades”, de João Paulo Miranda Maria, vai fazer sua estreia no país pela Mostra, apoiado nm desempenho visceral de Antonio Pitanga e de Ana Flávia Cavalcanti.  

Últimas