Começa hoje, 24 de outubro, a 11ª edição do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema. O evento, que até 3 de novembro vai apresentar em Lisboa e em Almada cerca de 244 documentários oriundos de 40 paises, para além de destacar as competições nacional e internacional de curtas e de longas, apresenta ainda as habituais secções de Investigações, dedicada a temas contemporâneos, Riscos, onde se exploram os limites do género documental, Heartbeat, dedicada às artes performativas, Verdes Anos, onde são exibidos filmes de estudantes, Passagens, onde o documentário se cruza com a Arte, e uma série de Programas Especiais.
Paralelamente, desenvolvem-se ainda várias atividades, tal como colóquios, mesas redondas, masterclasses, workshops, programas para crianças, projeções especiais na Voz do Operário e no Lux-Frágil, instalações na Carpe Diem Arte e Pesquisa, e diversas festas, onde não falta a animação por DJ’s.
A sessão de abertura oficial do certame vai decorrer hoje no Grande Auditório da Culturgest pelas 21.30, sendo apresentado Pays Barbare, de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi, um documentário que se aproveita de pequenos filmes propagandistas, alguns deles com contornos erótico-colonialistas, como os cineastas apontam, para mostrar os mecanismos de subjugação utilizados por Mussolini na sua cruzada imperialista em terras africanas, nomeadamente na Abissínia (Etiópia).
Mas se é no Grande Auditório que o festival tem a honra de oficialmente «começar», acaba por ser no São Jorge, na sala Manuel de Oliveira, que vem a maior fonte de energia do dia, com o documentário Hélio Oiticica. Percorrendo as ideias e o espírito de um dos artistas brasileiros mais importantes do séc. XX e recorrendo à própria voz gravada por Oiticica na época, o espectador é conduzido pelo sobrinho do artista, César Oiticica Filho, pela vida, filosofias e ideias do artista, numa obra vibrante onde o som e a imagem se fundem e caracterizam um homem longe de qualquer padrão de rigidez. Do bairro da Mangueira a Nova Iorque, com ligações ao Tropicalismo e a movimentos sociais de contra-cultura dos anos 60 e 70, Hélio Oiticica acaba por ser uma das mais valias do dia de abertura do Doclisboa.

