Festival Córtex alerta para a destruição do património português

(Fotos: Divulgação)

Este foi o tema que dominou a apresentação da 4ª edição do Festival de Curtas-Metragens de Sintra, o Córtex, ocorrida hoje (18/09) em Lisboa – evento que decorrerá entre 10 e 13 de outubro no Centro Cultural Olga Cadaval. O tema surge diante da constatação das enormes dificuldades para organizar a homenagem a um dos mais importantes nomes da cinematografia portuguesa, João César Monteiro, falecido em 2003.

Nunca pensei que fosse tão difícil. Chegamos ao ponto de pensar que não conseguiríamos fazer a mostra“, disse Michel Simeão, um dos organizadores do Córtex, referindo-se, não só às dificuldades burocráticas para se chegar às cópias, como ao estado precário de preservação das mesmas.

Essa preocupação foi reforçada por Ana Strindberg, companheira e assistente de realização de Monteiro e responsável por tentar encontrar os originais das nove curtas do realizador e que disse ter ficado perplexa com o estado de conservação dos filmes. “Isto é património cultural português!“, lamentou.

Strindberg, que já foi programadora do Doclisboa, criticou duramente a Zon Lusomundo, empresa detentora do catálogo do cineasta, pela total falta de interesse na divulgação e na preservação do seu trabalho. Já os filmes realizados no final dos anos 70 pertencem à RTP, local onde tampouco experimentam melhores condições de armazenamento. “A situação é gravíssima“, alertou. Será a primeira vez que todos os filmes dele serão exibidos em conjunto num festival. “Essa é uma ideia maravilhosa e inédita, uma forma de mantê-lo vivo entre nós“.

Estímulos para a criatividade

Simeão acredita que o Córtex, que nasceu em 2010, tem hoje um lugar sedimentado no panorama nacional e, a julgar pela quantidade de obras vindas do exterior, vai consolidando o seu espaço internacionalmente. A mostra competitiva deste ano terá 17 trabalhos nacionais e mas seis internacionais.

A atriz Carla Chambel, que já acumula sete curtas-metragens no currículo e será membro do júri, destacou a importância do formato no desenvolvimento dos jovens realizadores. O formato é um grande estímulo de criatividade para os novos, hoje cada vez mais profissionais.

Dada a conjuntura de crise, as curtas-metragens também servem para os cineastas experientes continuarem a trabalhar“. Já outro membro do júri, o crítico de cinema e realizador do documentário “Gerações Curtas“, sobre o festival de Vila do Conde, José Vieira Mendes, reforçou a importância do evento no sentido de ampliar os canais de divulgação do formato. A documentarista Graça Castanheira, por sua vez, que também participará da escolha do filme vencedor, fez questão de salientar que os seus critérios vão guiar-se, especialmente, pela análise da construção dos trabalhos. “O genial é quando se inscreve uma exceção dentro de uma forma regular“, observou.

O Córtex tem apoio financeira da Câmara Municipal de Sintra e da Junta de Freguesia de Santa Maria e São Miguel, do mesmo concelho.

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