Direção do Fantasporto sob suspeita de ilegalidades

(Fotos: Divulgação)

Segundo um artigo de investigação publicado hoje na revista Visão, o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) recebeu uma denúncia anónima que reporta ilegalidades na organização do Festival de Cinema Fantasporto. O ICA, sem capacidade de fiscalizar essas acusações, já remeteu a denúncia para a Inspeção das Atividades Culturais e para a Autoridade Tributária, que agora irão promover uma investigação.

Em causa está a atribuição de bilhetes a custo zero durante o certame, que assim supostamente inflacionam o número real de visitantes do festival [com implicações posteriores na atribuição de subsídios]. A fuga ao pagamento do IVA na venda de DVDs e livros pela equipa do Fantasporto é outra das ilegalidades apontadas, bem como algumas acusações orientadas a Mário Dorminsky, fundador e diretor do festival nortenho, e a Beatriz Pacheco Pereira, igualmente ligada ao Festival. Entre as acusações está a apropriação ilícita de fundos destinados à Cooperativa Cinema Novo, que gere o Fantasporto, nomeadamente no que toca a um cruzeiro no Mediterrâneo e na Terra Santa, «sem aparente ligação ao festival de cinema» e a presença nas faturas da cooperativa de duas agências de detetives. A denúncia refere ainda a duplicação de faturas enviadas para os organismos públicos que apoiam o festival e até contas bancárias paralelas, para além de existir alguma confusão naquilo que pertence ao Cinema Novo e ao próprio Mário Dorminsky.

Na página do Facebook do Fantasporto, entretanto inacessível, Dorminsky rejeitou ontem quaisquer ilegalidades na gestão do certame e que estas acusações serão esclarecidas brevemente. Já hoje à RTP, Dorminsky realça que as acusações são muito graves para serem resolvidas na praça pública e que irá agir judicialmente.

Vale a pena recordar que este artigo foi lançado apenas uns dias depois de ter sido publicada uma foto na página do Facebook do certame onde implicitamente se mostrava apoio à candidatura de Luis Filipe Menezes à Câmara do Porto. Na altura, Dorminsky primeiramente referiu que se tratou do trabalho de um administrador da página, tendo depois referido que afinal foi um hacker que acedeu ilegalmente à página e que já tinha apresentado queixa na PJ contra o sucedido.

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