Veneza: Em dia de homenagem, William Friedkin arrasa com Hollywood (com galeria de imagens)

(Fotos: Divulgação)

O realizador norte-americano William Friedkin foi hoje bastante crítico em Veneza com o atual sistema de estúdios, comparando mesmo Hollywood a um casino, «onde se apostam todas as fichas em apenas uma carta».

Friedkin, que recebeu hoje o Leão de Ouro pelo conjunto da sua carreira, prosseguiu nos seus comentários depreciativos em relação ao sistema de estúdios, considerando absurdos os investimentos em franquias de super-heróis. «Para um filme ser feito no atual sistema temos de vestir alguém com um fato com uma letra no peito, voar pelo mundo e a salvá-lo do mal (..) ou então alguém que mate vampiros ou zombies. Eu não quero fazer isso. Eu não quero sequer ver isso», acrescentou.

Conhecido por filmes como O Exorcista e Os Incorruptíveis contra a Droga, Friedkin deu o exemplo de Bug e Killer Joe, dois dos seus trabalhos mais recentes, que segundo o cineasta nunca teriam visto a luz do dia caso fossem trabalhados por estúdios. Ainda assim, e apesar de criticar o sistema, o cineasta tem consciência que este vai manter-se durante muito tempo.

Já para os jovens cineastas, e tendo em conta as facilidades que hoje em dia existem, como comprar câmaras baratas, editar em casa, e divulgar na internet, Friedkin deixa um conselho: «Se estão numa escola de cinema, saiam imediatamente. Saiam, arranjem uma pequena câmara façam o vosso filme, editem em casa, ponham num site, e façam vocês mesmo. Não se preocupem com o criticismo, apenas deixem a audiência ver o vosso trabalho (…) Ninguém vos pode ensinar a fazer filmes (..) é algo que aprendem ao faze-los ou a vê-los. O cinema gera cinema. Os meus filmes são razoáveis porque eu vi o trabalho de outros. Tudo o que um jovem precisa saber para fazer um filme consegue-o a ver filmes de Alfred Hitchcock.

O Regresso de «O Comboio do Medo» e a necessidade de um novo Ghandi

Ainda antes de receber o Leão de Ouro, o cineasta viu aquele que considera ser o seu filme mais pessoal, O Comboio do Medo (1977), ser apresentado em Veneza numa versão restaurada. Para Friedkin, este foi o seu filme mais difícil de concretizar, até porque existiram vários problemas durante a produção, como casos de malária e até gangrenas. Nada disso evitou que a fita [que não oi um sucesso comercial] se transformasse num objeto de culto que pode ser definido como uma «metáfora para as nações mundiais que não se conseguem dar bem».

 

Aludindo à atual crise na Síria, o realizador insistiu que «não há dúvida de que o mundo está à beira da extinção», pois toda a gente ameaça toda a gente de uma forma que não se via desde a 2ª Guerra Mundial. «A diferença é que agora as armas são nucleares e é só preciso um louco para acabar com tudo».

Sobre a solução para estes tempos, Friedkin avisa que só existe esperança se surgir um novo Ghandi, Anwar Sadat ou Martin Luther King Jr.

O Futuro

No que diz respeito a projetos futuros, Friedkin revelou que ele e o seu colaborador Tracy Letts, o dramaturgo vencedor de um Tony com quem trabalhou em Killer Joe, já conversaram sobre executar um «western contemporâneo“.

«Se Deus permitir e fizer outro filme com ele, vamos certamente trazê-lo até Veneza. Isto se formos convidados». concluiu.

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