Já foi Drácula, Frankenstein e até a Múmia. Já foi o terrível e sádico Scaramanga em 007 – O Homem da Pistola Dourada, Conde Dookan em Guerra das Estrelas, Saruman na saga Senhor dos Anéis e até Rochefort na versão de 1973 de Os Três Mosqueteiros. Chegou a ser o vilão num filme que tinha como herói Chuck Norris (Olho por Olho, 1981) e trabalhou com realizadores como Laurence Olivier (Hamlet, 1948), Billy Wilder (A Vida Íntima de Sherlock Holmes, 1970), Peter Jackson (O Senhor dos Anéis), John Landis (Os Estúpidos, 1996), Joe Dante (Gremlins 2 – A Nova Geração, 1990), Steven Spielberg (1941 – Ano Louco em Hollywood, 1979) e Martin Scorsese (Hugo, 2011), entre muitos outros. Falamos naturalmente de Christopher Lee, um ator com créditos firmados no cinema e que é um dos homenageados este ano pelo Festival de Locarno.
O ator esteve hoje no certame onde lhe foi entregue o Prémio de Excelência Moët & Chandon por uma carreira onde participou em mais de 280 produções. Quanto às personagens que desempenhou ao longo da sua carreira, afirma que nunca perseguiu este ou aquele papel e que estes chegaram sempre até si sem grande esforço. «Não me lembro de ter alguma vez dito ao meu agente “ouvi que este ou aquele vai fazer um filme e gostaria de entrar nele”. Tudo o que sempre fiz foi-me oferecido, ou a mim pessoalmente ou ao meu agente».
Paralelamente a esta homenagem serão ainda exibidos no certame alguns dos filmes que marcaram a sua extensa carreira, como O Cão dos Baskervilles (1959), O Sacrifício (1973) e o experimental Umbracle (1970), um filme que o próprio Lee confessa nunca ter entendido: «Ele [ Pere Portabella] fez este filme a preto e branco, a maior parte do tempo com som e em alguns momentos em que canto. Outras vezes, apenas ando. Eu tinha uma cena – não me lembro se ainda está no filme – com o famoso pintor Antoni Tàpies. Falámos em francês. Depois, e vindo do nada, eu costumava cantar Wagner. Sem música, sem nada. É um filme muito estranho e têm mesmo de perguntar ao realizador o seu significado». Já sobre O Sacrificio, Lee não tem dúvidas. «O Sacrificio é sem qualquer dúvida o melhor e o mais brilhante papel que alguma vez tive (…) Nunca o esquecerei. Absolutamente brilhante, o melhor filme que alguma vez participei. Ainda guardo o guião. Foi escrito – o que é raro nos dias que correm – a pensar em mim. O [Anthony] Schaffer e o [Robin] Hardy tinham-me na mente para o papel de Lord Summerile. Muitos críticos consideram-no um dos dez melhores filmes britânicos de sempre.»

