Inaugurado no fim dos anos 1990 para assegurar ao Brasil uma vitrine pop de acesso à veredas autorais do cinema mundial, o Festival do Rio amargou três anos de luta, entre 2019 a 2021, à sombra de presidências municipais (já finadas) avessas à arte e da pandemia, mas ensaia, de 6 a 16 do mês que vem, um regresso às glórias da sua origem. Há uma seleção de peso nos títulos estrangeiros inéditos. O mais esperado é “Argentina, 1985”, de Santiago Mitre, com Ricardo Darín. Igualmente concorrida deve ser a sessão de “Decision to Leave”, que deu a láurea de Melhor Realização ao sul-coreano Park Chan-Wook em Cannes.
Na seleção de filmes deste ano estarão: “Un Petit Frère”, de Léonor Serraille; “Walk Up”, de Hong Sangsoo (Coreia do Sul); “1976”, de Manuela Martelli (Chile); “Under The Fig Trees”, de Erige Sehiri (Tunísia); “Padre Pio”, de Abel Ferrara (EUA-Itália); “EO”, de Jerzy Skolimowski (Prémio do Júri em Cannes); “The Wonder”, de Sebastián Lelio (Reino Unido); “Holy Spider”, de Ali Abbasi (Irão); “Pornomelancolía”, de Manuel Abramovich (drama argentino vencedor de Melhor Fotografia em San Sebastián); “Il Signore Delle Formiche”, de Gianni Amelio (Itália), e “Living”, drama que pode render o Oscar a Bill Nighy. Há quem diga que “The Fablemans”, de Steven Spielberg, pode abrir a maratona cinéfila do RJ, mas nada foi confirmado ainda. Haverá ainda uma exibição de documentários de Dziga Vertov (1896-1954) e a projeção de “O Pagador de Promessas”, que ganhou a Palma de Ouro de 1962. Haverá ainda uma projeção especial de “Shortbus” (2006), de John Cameron Mitchell, que virou um ídolo da cinefilia carioca. O festival vai ocupar as salas do Grupo Estação, na Zona Sul do RJ.

