Surpreendendo expetativas, a Palma de Ouro de 2024 ficou com os Estados Unidos, mas na seara indie, celebrando a energia e o balanço de “Anora”, de Sean Baker. É um conto de fadas às avessas, um “Cinderella” agridoce, no qual uma trabalhadora do sexo é dragada para um universo de loucuras ao se casar com um jovem russo e ser obrigada a desfazer a união pelos seus pais e uns capangas muito particulares.
A decisão foi deliberada por um júri presidido pela atriz e cineasta Greta Gerwig e formado pela roteirista e fotógrafa turca Ebru Ceylan; as também atrizes Lily Gladstone (EUA) e Eva Green (França); a diretora libanesa Nadine Labaki; o realizador espanhol Juan Antonio Bayona; o ator italiano Pierfrancisco Favino; o cineasta japonês Hirokazu Kore-eda; e o astro francês Omar Sy. Eles confiaram o Grande Prémio do Júri à Índia, premiando “All We Imagine As Light”, de Payal Kapadia. É um ensaio sobre sororidade em Mumbai. Já o Prémio Especial do Júri ficou com “The Seed of The Sacred Fig”, de Mohammad Rasoulof, que narra o processo de paranoia de um investigador.
Na escolha de quem ganharia a palma de Melhor Realização, o júri de Greta Gerwig optou pelo português Miguel Gomes, que arrebatou olhares com “Grand Tour”. É um estudo sobre as sequelas do colonialismo europeu.
O prêmio de melhor interpretação feminina foi no plural: coube ao coletivo de atrizes do musical “Emilia Pérez”, que levou ainda o Prémio do Júri. No filme, um chefão de um cartel do tráfico passa por uma transição de gênero. Já a láurea de melhor atuação masculina coroou Jesse Plemons em “Kinds of Kindness”, no qual vive três papéis.
Houve ainda um prémio de melhor argumento para “The Substance”, de Coralie Fargeat, um body horror com Demi Moore.
Premiação de Cannes em 2024
PALMA DE OURO: “Anora”, de Sean Baker
GRANDE PRÉMIO DO JÚRI: “All We Imagine As Light”, de Payal Kapadia
PRÉMIO DO JÚRI: “Emilia Perez”, de Jacques Audiard
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI: “The Seed of the Sacred Fig”, de Mohammad Rasoulof
Realização: Miguel Gomes, por “Grand Tour”
GUIÃO: Coralie Fargeat, por “The Substance”
ATRIZ: Elenco feminino de “Emilia Perez”
ATOR: Jesse Plemons, por “Kinds of Kindness”
CAMÉRA D’OR (melhor filme de estreante): “Armand”, de Halfdan Ullmann Tondel, com menção especial a “Mongrel”
PALMA DE CURTA-METRAGEM: “The Man Who Could Not Remain Silent”, de Nebojsa Slijepcevic (Croácia),com menção especial para “Bad For a Moment”

