Vinte e oito anos depois de Ron Howard levar aos cinemas Backdraft (Mar de Chamas), surge a sequela, agora assinada por Gonzalo Lopez-Gallego, que curiosamente tal como Howard fez também um filme em torno das missões Apollo (Apollo 13/Apollo 18).
O tom desta sequela fica claro na sequência inicial: um incêndio, uma vítima, e o nosso protagonista a desvendar todo o mistério em segundos. “Quem é você?“, questiona o jovem incendiário. Ele responde: “I’m a Fireman” (Sou bombeiro), fazendo quase inveja ao Cobra de Stallone.
Por aqui, mais uma vez assentamos arraiais em Chicago e agora acompanhamos Sean McCaffrey (Joe Anderson), sobrinho de Brian McCaffrey (William Baldwin). Brian era no primeiro filme um novato que investiga incêndios sob a tutela de Robert De Niro e que agora – nesta continuação – coordena os bombeiros e tem uma relação problemática com Sean, que nunca lhe perdoou pela morte do pai, Stephen McCaffrey, interpretado por Kurt Russell no primeiro filme. É no meio de uma investigação em torno de um novo incendiário que segredos do passado se vão revelar e uma teia de conspirações será desmontada.
Apesar de ser surpreendente haver uma sequela tardia deste filme, há que dizer que o trabalho de Lopez-Gallego é minimamente competente na direção, conseguindo explorar, esticar e inventar cinema onde o guião limita a produto televisivo. Sim, Backdraft 2 sofre do mesmo mal que muitas sequelas de objetos direto-para-vídeo tinham nos anos 80 e 90; tremendas limitações no argumento para não esticar orçamento, assemelhando-se no processo a um qualquer CSI televisivo, onde o uso de exteriores e interiores é sempre reservado, estampando o selo de telefilme em todo o lado. Isso nota-se particularmente nos incêndios aqui apresentados, todos eles com muito pouca espetacularidade ou real sensação de perigo e grandiosidade do “inimigo“.

Não é só Baldwin que está de regresso nesta sequela, com ele vem também o louco incendiário Ronald Bartel (Donald Sutherland), ainda confinado num hospital psiquiátrico e ainda com a mesma paixão e loucura. Mais uma vez, ele vai ser uma espécie de Hannibal Lecter para Clarice, instruído Sean sobre as técnicas de criar incêndios e escapar no processo, servindo assim como conselheiro e “decifrador” de potênciais criminosos.
Sutherland cumpre bem o seu papel, ou seja, ao contrário de Baldwin, executa uma continuação lógica da sua personagem, alguém que ainda quer que o mundo “arda todo“, mas que é suficientemente nascisista para doutrinar sobre o “fogo”. Já Baldwin tem uma prestação tão ínfima e pobre que dá a sensação que apenas está por aqui para servir de transição do primeiro para o segundo filme. A forma como o guião o trata é execrável na simplicidade, nos clichés, e a resposta deste em termos de interpretação é a de um piloto automático pronto para amealhar mais um cheque.
No final, tudo se resume a um projeto que mais parece um episódio piloto de uma eventual série televisiva, sustendo a sua dinâmica no mistério, heroísmo e sacrifícios pessoais, mas no qual se evidencia a tendência sistemática para o dramalhão (o primeiro já era assim), em vez de se preferir uma abordagem mais realista que se foque nas duras condições de trabalho destes homens, do heroísmo inerente à profissão e da arte de combater e investigar fogos.














