Já há algum tempo que Hideo Nakata não dirigia uma obra de J-horror, sendo que The Complex tem sido aguardado com demasiadas expectativas, mas o problema está nisso mesmo … em cumpri-las.
Esta é a conhecida história de uma assombração quotidiana com todos os elementos básicos do subgénero, onde o realizador concentra-se num complexo de apartamentos como cenário para incutir o seu terror mais genérico.
Contudo, ao contrario da sua obra de referência, Ringu – A Maldição (que deu origem ao conhecido remake The Ring – O Aviso com Naomi Watts como protagonista), Nakata teve o mérito de conceber uma sofisticada intriga de fantasmas e maldições (tão bem inerentes na cultura nipónica), sob o efeito do mito moderno, quase como creepypasta (denominação cada vez mais utilizada na internet). O que aconteceu a este The Complex foi obviamente o oposto, o tradicionalismo, que impõe a narrativa e os mais variados artifícios de terror. Ou seja, encontramos aparições e os seus ditos acessórios, mas nada de realmente moderno e flexível para com a sociedade de hoje. Relembro que Takashi Miike conseguiu fazer algo bem mais consistente com o seu One Missed Call (2005).
Presos às “amarras” do estilo The Complex funcionaria dentro da sua zona de conforto se não fosse o seu síndroma de complexidade, ao tentar “emaranhar” o que não devia ser complicado. Assim sendo, são variado os twists que mudam o rumo da história e sempre surgem (o que até não é uma característica de todo má), mas que não evitam a sua própria previsibilidade e a pouca inspiração.
Por fim, Hideo Nakata parece ter “acordado”, esbanjando-se entre um conjunto de cores e caracterização de fazer relembrar, não as anteriores obras japoneses, mas o ambiente digno de um filme do género norte-americano dos anos 80.
O melhor – O regresso de Hideo Nakata ao subgénero
O pior – Falta-lhe “garra” e sobretudo, sofisticação.

Hugo Gomes

