Countdown, a primeira longa-metragem de Nattawut Poonpiriya, remete-nos a três jovens tailandeses residentes em Nova Iorque que, em vésperas do Ano Novo, decidem contactar um traficante para que a noite se torne especial. Assim sendo, Jesus (David Asavanond), o esperado narcotraficante, chega e graças aos seus dotes oratórios e carisma natural consegue transformar a festiva noite em algo agradável e bem humorado. Porém, a situação começa a “descarrilar” quando após a revelação de algumas atitudes sádicas e diálogos assustadores, que envolvem castigos divinos a pecaminosos por parte de Jesus, os jovens começam a temer o outrora “simpático” traficante, que parece mais interessado em segredos obscuros que na venda do próprio produto. O clima estremece no preciso momento em que os jovens tentam desesperadamente expulsá-lo do apartamento.
Uma composição de diversos tons, que vai desde o tragicómico até ao terror sadista, Countdown é uma obra que sabe gerir a sua diversidade com a intensidade merecida. Ora torna-se deveras divertido, ao impor um certo humor negro, ora torna-se pesado psicologicamente ao incutir o climax. Este é um ensaio sarcástico, que leva o espectador a “abraçar” uma causa de “não crença” e a ceder a um jogo de redenções coordenadas por reviravoltas que exploram os mais diversos estilos. Assim sendo, e com um espírito aberto, é possível desfrutar esta “vendetta” sedutora que pouco faz para fugir do simples exercício de estilo.
Countdown ainda reserva-nos sólidos desempenhos por parte dos seus atores, com destaque para um igualmente divertido e ambíguo David Asavanond, e profissionais atributos técnicos.
No todo, esta é uma tentativa de dissecação intrínseca de personagens disfarçada de disputa religiosa (não é por nada que a figura antagónica se apelida por Jesus). A ver!
O melhor – David Asavanond a “pregar para os peixes”
O pior – É um exercício de estilo que apesar de conhecer as suas limitações é … limitado.

Hugo Gomes

