Depois de o ter perdido em Cannes, vejo finalmente o filme de estreia de Ryan Cogler, a evocar o derradeiro dia na vida de Oscar Grant, o afro-americano baleado por um polícia na estação de metro de Fruitvale, em Oakland, na Califórnia, na madrugada do primeiro dia de 2009.
É esta a crónica de uma morte anunciada que nos faz sentir simpatia pelo afável jovem pai de família, com pena de prisão cumprida, mas modos suaves e de uma família unida. O problema é que percebemos que iremos ser submetidos a uma injeção de elogios que apenas irão sublinhar o lado mais atroz desse desfecho dramático.
Há ainda um estilo de câmara na mão ‘in your face’ que faz sobressair essa moralidade algo dispensável. Depois de ligar à avó para ajudar uma jovem com uma receita de culinária, tratar da filha, fazer compras para o aniversário da mãe (Octavia Spencer) e preparar-se para a festa de fim de ano com os amigos, eis que o metropolitano para e a festa decorre ali mesmo. O final já se sabe. É triste. O filme também.

Paulo Portugal

