“Brideshead Revisited” por André Reis

(Fotos: Divulgação)

Para os amantes de obras literárias Inglesas, “Brideshead Revisited” pode-se orgulhar de ser um filme de qualidade com boas interpretações.

Charles Ryder (Matthew Goode) é um jovem inglês de classe média-alta. Estudante de história em Oxford, Charles somente sonha em ser pintor. Em Oxford, conhece Sebastien Flyt (Ben Whishaw), um jovem burguês amante da bebida e excêntrico quanto basta. Os dois tornam-se amigos e Charles acaba por conhecer a família de Sebastien: a mãe, Lady Marchmain (Emma Thompson), uma católica fervorosa e a irmã, Júlia (Hayley Atwell), uma jovem rapariga presa entre a vontade de viver e a educação católica.

Desde aí, a vida de Charles nunca mais será a mesma e Brideshead, o palácio dos Flyte, irá fasciná-lo e atormentá-lo ao longo da vida.

Este filme, que se arrisca a ser quase um “direct-to-video” na sua terra Natal, chega a Portugal como a nova adaptação de um romance clássico da literatura Inglesa. Realizado por Julian Jarrold, realizador de “Becoming Jane” (com Anne Hathaway e James McAvoy), o filme mexe com temas tão diversos como a homossexualidade, o amor e a religião.

Inicialmente previsto para ser realizado por David Yates e com Jennifer Connelly, Paul Bettany e Jude Law nos papéis principais, o elenco teve de ser revisto quando Yates deixou o filme para realizar a quinta aventura de Harry Potter (e também ficou para a sexta).

Com um elenco mais modesto (que, verdade seja dita, é capaz de ter fortalecido o filme), “Brideshead Revisited” é uma obra sólida, com um argumento bastante trabalhado que permite ao leque de actores construírem personagens com profundidade.

Do elenco, destaque especial para Ben Whishaw que cria um jovem Sebastien, ser inseguro que tenta fugir ao “peso” da mãe através da bebida e da sua sexualidade indefinida. Sem exageros, o actor capta a essência da personagem, conseguindo uma interpretação com vários níveis de intensidade mas sempre interessante e credível.

Emma Thompson, no papel da mãe, é uma mais valia para o filme. A sua personagem consegue destilar na atmosfera um certo medo e autoridade graças a uma interpretação consistente. O resto do elenco (inclusive Charles Goode e Hayley Atwell) está bem, mas sem verdadeiramente se destacar por uma ou outra razão.

O filme vive essencialmente das suas personagens, ao serviço de uma realização clássica e sóbria com a banda sonora um pouco redundante pelo uso constante do tema principal.

Conclusão: Brideshead Revisited é um filme agradável, com bom elenco e uma história interessante que, por uma vez, não vai atrás da exibição de grandes momento épicos. É por assim dizer um filme mais intimista que evita cair no erro de transformar qualquer emoção ou acontecimento numa tragédia Grega (mesmo que sentimental) como só os Inglesas o sabem fazer (vejam o caso de “Atonement”).

Sem dúvida alguma, um filme que merece um visionamento e que, juntamente com “In Bruges”, se destaca entre as estreias dos últimos tempos.

Nota: 6/10

 

André Reis

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