Há uma pequena mudança de paradigma no cinema de aventuras que Tadeo Jones y la lámpara maravillosa, quarta longa-metragem da franquia criada por Enrique Gato, parece compreender melhor do que a maioria dos seus concorrentes: para uma criança habituada a narrativas digitais, já não basta contar uma história veloz. É preciso que a própria imagem pense, respire e se movimente à velocidade da atenção contemporânea. Em cartaz, a nova aventura do arqueólogo trapalhão espanhol não reinventa a roda, mas sabe muito bem como fazê-la girar — e em alta rotação.

A comparação com Indiana Jones é inevitável, até porque Tadeo nasceu como uma espécie de paródia carinhosa do imaginário criado por Steven Spielberg e George Lucas. Só que, enquanto o arqueólogo americano envelheceu juntamente com o seu público e acabou transformado em personagem de museu para uma parcela das novas gerações, Tadeo permanece ligado a uma cultura infantil que já nasceu com o botão do fast-forward acionado. Não é apenas uma questão de duração ou de quantidade de acontecimentos por minuto: Tadeo Jones y la lámpara maravillosa entende que a atenção infantil contemporânea pede estímulos visuais constantes, mudanças de cenário, deslocações espaciais, referências reconhecíveis e uma paleta cromática capaz de transformar cada plano numa espécie de pequeno brinquedo ótico.

É aí que o filme encontra uma das suas maiores virtudes. A direção de arte aposta num frenesim de cores, formas e luminosidades que dá à computação gráfica espanhola uma exuberância quase de banda desenhada. Londres, Paititi, Grécia e o Médio Oriente não aparecem apenas como lugares onde a ação acontece, mas como diferentes playgrounds cromáticos. O resultado pode parecer excessivo para o olhar adulto, mas é precisamente nessa exuberância que reside a inteligência do projeto: em vez de tentar reproduzir a sobriedade visual de uma aventura arqueológica clássica, Gato aceita as exigências de uma geração criada entre ecrãs, videojogos, vídeos curtos e animações permanentemente em movimento.

A história acompanha Tadeo e Sara já como pais de Olimpia, ou Oli, uma menina de dois anos cuja chegada altera a dinâmica do grupo. Momia, ressentido por ter perdido o posto de centro das atenções, encontra a misteriosa lâmpada maravilhosa de As Mil e Uma Noites e formula um desejo para regressar ao tempo em que era jovem e admirado. O problema é que, no universo de Tadeo, mexer com o passado nunca é uma atividade particularmente recomendável. A viagem temporal ameaça alterar o curso da História e obriga Tadeo, Sara, Momia, Jeff, Belzoni e companhia a atravessar diferentes épocas e civilizações para tentar restaurar a ordem.

O argumento de Manuel Burque e Josep Gatell não esconde a natureza industrial da empreitada. Há a lâmpada de Aladino, viagens no tempo, arqueologia, cidades perdidas, personagens históricas, animais falantes e uma sucessão de referências cinematográficas destinadas a manter também os adultos minimamente envolvidos. Mas a prioridade é outra: garantir que o público infantil nunca sinta que a aventura parou. É uma estratégia menos sofisticada do que a de algumas animações americanas recentes, que procuram funcionar simultaneamente em várias camadas etárias, mas bastante coerente com o ADN da personagem.

Nesse sentido, Tadeo Jones y la lámpara maravillosa é quase um manifesto involuntário sobre a transformação da narrativa infantil na era digital. A montagem acelera, a ação salta de continente em continente, o desenho de produção multiplica estímulos e o filme não parece disposto a conceder ao espectador muito tempo para contemplar. O que antes poderia ser considerado excesso hoje funciona como linguagem. Para uma criança habituada a receber informação audiovisual em fluxo permanente, a abundância de estímulos não é necessariamente ruído: pode ser precisamente a gramática que lhe permite entrar na história.

A música de Zacarías M. de la Riva desempenha um papel fundamental nessa engrenagem. A partitura acompanha as mudanças de escala da aventura sem deixar que o filme perca a sua pulsação, combinando o sentido épico necessário ao cinema de arqueólogos com a energia física de uma animação concebida para o movimento. Não é uma banda sonora que pretende disputar protagonismo com a imagem; funciona antes como motor invisível de uma narrativa que precisa constantemente de acelerar, virar, saltar e recomeçar. De la Riva já havia acompanhado as três aventuras anteriores, e o seu regresso ajuda a preservar a identidade musical da série.

Também é significativo que Tadeo tenha chegado a este ponto como um dos casos mais bem-sucedidos da animação espanhola. As três primeiras longas-metragens acumularam cerca de oito milhões de espectadores e mais de 47 milhões de euros de receita em Espanha, além de uma circulação internacional que levou a franquia a ultrapassar os 120 milhões de dólares em bilheteira mundial. A quarta aventura não chega, portanto, como uma experiência isolada, mas como uma marca audiovisual plenamente consolidada.

É neste contexto que a participação portuguesa ganha particular interesse. João Paulo Rodrigues regressa como a voz de Tadeo na versão portuguesa, acompanhado por Mafalda Luís de Castro, Márcia Correia, Rui Oliveira, Carla Garcia, Tiago Retrê, Ricardo Monteiro, Ermelinda Duarte, Francisco Bacalhau e Sérgio Calvinho, entre outros.

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Rodrigo Fonseca
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