Profissionais do cinema israelita apoiam realizadores de NAZA após ameaça de perda de cidadania

Nadav Lapid, Ari Folman e Shlomi Elkabetz estão entre os signatários de uma petição de solidariedade com Yuval Abraham e Rachel Szor, premiados em Veneza e acusados de «traição» pelo ministro israelita da Cultura.

Mais de 1000 profissionais do cinema israelita manifestaram através de uma petição a sua solidariedade com os realizadores Yuval Abraham e Rachel Szor, ameaçados com a perda da cidadania pelo ministro israelita da Cultura e Desporto, Miki Zohar, depois de NAZA ter sido apresentado e premiado no Festival de Veneza.

Entre os signatários da petição encontram-se várias figuras de destaque do cinema israelita, como Nadav Lapid, realizador de Synonyms, vencedor do Urso de Ouro em Berlim, e de Ahed’s Knee; Ari Folman, autor de Valsa com Bashir e O Congresso; e Shlomi Elkabetz, correalizador, com a irmã Ronit Elkabetz, de Gett: O Processo de Viviane Amsalem

No documento, cuja circulação permanece restrita à indústria cinematográfica israelita para preservar profissionais mais expostos a possíveis represálias, os signatários lembram que que uma das responsabilidades fundamentais da arte e do jornalismo é confrontar a sociedade com a realidade e que, independentemente das divergências suscitadas por uma obra, ninguém deve ser ameaçado ou perseguido pelo seu trabalho.

Naza, cujo título remete para um termo militar hebraico associado à estimativa de potenciais vítimas civis (danos colaterais), recorre a testemunhos anónimos de militares e membros dos serviços de informações israelitas para expor os mecanismos e tecnologias utilizados na seleção de alvos em Gaza. A forma como são autorizados ataques quando existe um risco conhecido de vítimas civis, através do uso de IA, é também um dos destaques do filme que saiu com o Prémio do Júri no Lido.

Além de Zohar, as Forças de Defesa de Israel (IDF) rejeitaram as acusações apresentadas no documentário, argumentando que não é possível verificar a autenticidade de informações provenientes de fontes anónimas. A IDF sustenta ainda que os sistemas de inteligência artificial utilizados pelos militares não decidem autonomamente a realização de ataques e que as decisões finais são tomadas por seres humanos.

Recorde-se Yuval Abraham e Rachel Szor já tinham causado burburinho com No Other Land, realizado em colaboração com os cineastas palestinianos Basel Adra e Hamdan Ballal. Centrado na destruição de comunidades palestinianas na Cisjordânia ocupada, o filme foi premiado na Berlinale e conquistou o Óscar de Melhor Documentário em 2025.

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