Antes de se poder falar de “100 liters of Gold”, temos de falar do “sahti”, a cerveja finlandesa artesanal feita a partir de grãos maltados e não maltados, incluindo cevada, centeio, trigo e aveia. Tradicionalmente, a cerveja é aromatizada com zimbro, para além ou em vez de lúpulo, tem um distinto aroma de banana devido à produção de acetato de isoamila pela levedura. Depois deste interlúdio “patrocinado” pela Wikipedia (se disse algum disparate a culpa é deles), onde também descobrimos ser uma bebida muito popular, frequente em reuniões privadas e públicas como festas, casamentos e funerais, convém dizer que o “gold” no título desta comédia é uma referência ao tal sathi, no qual as irmãs Pirkko (Elina Knihtilä) e Taina (Pirjo Lonka), que vivem na pequena localidade de Sysmä, são especialistas.
Convidadas para um casamento e com uma encomenda de 100 litros desse néctar, que tem de ser da maior qualidade, a dupla mete mãos à obra, mas o resultado final do seu trabalho é tão saboroso que do meramente provarem a bebida, passaram a bebê-la compulsivamente, levando a que a dupla tenha de repor a encomenda de forma cronometrada porque o casamento aproxima-se. O que se segue é uma corrida contra o tempo da dupla de irmãs, acompanhadas por Hauki (Ville Tiihonen), um homem apaixonado por Pirkko, para conseguir reunir dinheiro suficiente para adquirir aos rivais do negócio os tais 100 litros, em particular Poiju-Paavo (Jari Pehkonen), que não está de todo interessado em ajudar a dupla.
Perseguições, gags frequentes de tropelias, roubos e reviravoltas polvilham uma comédia screwball minada de momentos slapstick que faz lembrar alguns dos trabalhos de atrizes norte-americanas como Melissa McCarthy, Amy Schumer, Maya Rudolph, Tina Fey e Amy Poehler, mas sempre muito enraizado na cultura finlandesa e das suas especificidades regionais, como incursões musicais de rock instrumental rautalanka, além da própria essência do sathi, que lhe dão um travo de “piada interna” que certamente funciona melhor naquelas paragens do que globalmente.
Pelo meio da “palermice”, o cineasta tenta infundir uma visita emocional aos relacionamentos familiares, tocando na culpa, adições e animosidade em pequenas localidades para lá do sol posto, mas nada é particularmente impactante num trabalho que encheu salas no Tallinn Black Nights depois de passar pelo Festival de Roma, mas que deve ter grandes dificuldades em fazer um percurso cinematográfico no mundo dos festivais além de escassas aparições fora de competição ou panorama do cinema mundial.



















