Enclausurado numa atmosfera e sentido de tragédia clássica, a primeira incursão de Edgardo Pistone nas longas-metragens, “Ciao Bambino”, revela-se uma proposta pop contemporânea que se enquadra na típica figura cliché da “donzela em perigo” que encontra num “cavaleiro” improvável o escape a uma vida de martírio.
Em suma, temos uma fórmula ultra romântica bolorenta vestida com trajes contemporâneos, que se desenrola na Nápoles costumeira das classes trabalhadoras expostas ao pequeno e grande crime, evocando um processo coming-of-age do jovem Attilio (Marco Adamo) que, pressionado por criminosos locais devido às fragilidades e adições do pai (Luciano Pistone), que acumulou dívidas junto a um agiota (Pasquale Esposito), é forçado a trabalhar para um mafioso, Martinelli (Salvatore Pelliccia), que o encarrega de ser o fiel escudeiro de uma trabalhadora do sexo ucrâniana, Anastasia (Anastasia Kaletchuk), a quem o passaporte foi confiscado pelos criminosos.
É na convivência entre Attilio e Anastasia, ele de 17 anos, ela mais velha, que nasce uma relação com ambições épicas, mas resultados derivativos, nunca largando o tal sentido de “donzela em perigo” que urge em ser salva, mesmo que isso implique o sacrifício por parte do rapaz. Doses fartas de temáticas sociais (a Nápoles entregue aos criminosos; as escravas sexuais; a Ucrânia em guerra) tentam atualizar a mesma história de sempre para as novas gerações, onde um herói que não é assim tão puro e virtuoso acaba por se rebelar contra o “destino”.
Filmado num preto e branco eficaz, mas que efetivamente não traz nenhuma mais valia ou clarividência estilística ou emocional além do “bonitinho”, Edgardo Pistone segue trilhos quase algorítmicos na condução da sua tragédia, preenchendo o guião com camadas e códigos entre o romantismo e o realismo, onde até não faltam incursões filosóficas que infelizmente nunca abandonam uma superficialidade das frases feitas. Um bom exemplo disso são os primeiros momentos do filme, onde Attilio evoca ao espectador uma tendência geral de separar o mundo e as suas gentes em 2 esferas: a do bem e do mal; o preto e o branco; os adultos e as crianças. Tudo soa bem e inteligente, mas efetivamente são pedaços de nada que dão efetivamente um lamiré de como o seu filme será: um exercício de repetição (Um “Gomorra” filmado com as cores de “Ida“) sem uma verdadeira linguagem autoral que o tire do óbvio e previsível.



















