Vagamente baseado na história real de Gary Johnson, um policia especialista no disfarce em Houston, no Texas, “Hit Man” é um regresso bem humorado do cineasta Richard Linklater, para sempre conhecido pelos filmes da trilogia “Antes do Amanhecer”, além de “Boyhood”, que teve várias nomeações aos Óscares.
Gary Johnson especializou-se em se passar por um “assassino” através de disfarces exóticos, marcando encontros com potenciais clientes que requeriam os seus serviços, gravando-os secretamente e levando-os, posteriormente, a serem acusados de conspiração para assassinato. É Glen Powell, que assume o protagonismo e tem créditos no guião, que serve de motor para uma história que nunca abdica de um tom de comédia negra ao estilo dos irmãos Coen, mesmo quando o nosso polícia à paisana quebra o protocolo e enconta o romance numa das potenciais “clientes”, Madison (Adria Arjona), que se quer livrar do esposo obcecado e abusivo.
Logo no início do filme somos introduzidos à vida de Johnson, um professor de filosofia que também é agente da polícia e que nos vai falando com graça da sua vida dupla, descobrindo o espectador que assumiu o papel de “falso” assassino à custa de um outro agente, Jasper (Austin Amelio), suspenso após espancar uns adolescentes. Será neste agente caído em desgraça, mas com a ânsia de regressar, que Johnson vai encontrar a grande rivalidade, para além de perceber que a pessoa com quem entretanto assumiu uma relação pode não ser exatamente o que ele espera dela.
Muito mais simples, ligeiro e dramático do que os seus filmes costumam ser, Linklater mostra uma faceta que se mantém na linha do realismo, mas com ganas para o absurdo e implausível, tudo a partir de uma história verdadeira. E no jogo entre comédia, ação e romance, “Hit Man” acaba por ser uma peça divertida na linha do entretenimento escapista.




















