Quem viu “Courage”, realizado por Aliaksei Paluyan, vai sentir este “Motherland” como uma nova vaga de resistência cinemática às décadas de poder de Alexander Lukashenko na Bielorrússia.
E se o filme estreado na Berlinale em 2021, que acompanhava em particular três membros do Belarus Free Theatre – Denis, Maryna Yakubovich e Pavel Haradnizky – nas suas dissidências, resistência e táticas contra a tirania de um líder com fortes ligações à Federação Russa e Vladimir Putin, o novo projeto de Alexander Mihalkovich e Hanna Badziaka faz o mesmo, embora comece por levantar questões sobre a brutal cultura de violência e a forte componente de propaganda dentro do sistema militar do país. É por isso que começamos por acompanhar Svetlana, uma mulher que perdeu o filho, encontrado morto e cheio de hematomas enquanto estava no exército.
Vítima de uma prática comumente conhecida por Dedovshchina (reino dos avós), onde o abuso aos jovens recrutas das forças armadas faz parte do dia a dia, o filho de Svetlana, que comunica connosco através da narração das cartas que escreveu à mãe antes da sua morte, serve de porta para a apresentação de um outro rapaz, que de um grupo de amigos que frequenta ambientes do techno underground, vai agora enfrentar – com os seus receios e críticas – o processo de recrutamento no exército.
São estas duas histórias, dos vivos e dos mortos, tudo num um momento que se sente de transição, que servem de base para chegar Alexander Lukashenko, falando-se nisto de um problema estrutural e cultural difícil de derrubar, que transformou o exército não apenas como defensor do povo, mas guarda particular do líder/tirano.
Neste caminho de esperança e resistência, coloca-se ainda frente a frente a força do poder como elemento de corrupção moral, estando a posição das forças armadas no epicentro de todas as ambiguidades de um país no pós regime soviético. Um bom documentário saído do CPH:DOX .



















