Com uma intensa carreira no cinema alemão, onde se destacam filmes que geraram enorme projeção comercial como “Combat Girls” e “Wetlands”, David Wnendt regressou a Berlim – numa gala especial – com a adaptação do primeiro romance autobiográfico de Felix Lobrecht, um objecto coming-of-age que acompanha de perto quatro amigos que crescem no complexo habitacional de Gropiusstadt, in Neukölln, em Berlim.
Munido dos clichês de grande parte do cinema do “banlieue” (cinema gaulês focado nos subúrbios), onde a primeira imagem que temos da zona é aérea, enquanto escutamos sonoridades hip hop, Wnendt faz aos poucos a sua introdução a Lukas, Julius, Gino e (mais tarde) Sanchez, todos eles com dificuldades em gerir a vida familiar, social, escolar e até amorosa.
O maior foco está em Lukas, que vive apenas com um pai que sente ser incapaz de comandar a sua vida, e um irmão mais velho, já entregue completamente à delinquência. É a partir dele que chegamos a Julius e Gino, miúdos com problemas graves em casa, que vão da violência doméstica ao absoluto abandono e toxicodependência. Numa tarde de sol, e sem dinheiro para irem à piscina, os três decidem escapar à rotina e comprar drogas leves numa área controlada pelos “árabes”. Abordados por um gangue de pequenos traficantes em modo “gangsta”, a violência entra diretamente nas suas vidas, deixando todos reféns de uma situação que os vai deixar de porta aberta para o crime.
A partir daqui, e sempre num ritmo frenético incutido por uma montagem de cortes rápidos e uma banda-sonora “a condizer” (hip hop, pois), os rapazes (a quem se junta Sanchez, mais tarde) envolvem-se numa série de contratempos que os fazem piscar o olho à criminalidade, envolvendo-se cada vez mais numa espiral destrutiva que pode mesmo colocar em risco o seu futuro.
Entende-se perfeitamente que este é um filme com ambições puramente comerciais, mas se os os subúrbios são prolíferos em clichés, pois é impossível escapar da pobreza, precariedade, tráfico de drogas e crime quando se caminha diariamente por eles, a forma como todos estes elementos são retratados e transcritos para o cinema poderia estar um pouco mais longe do convencional. É que os temas são abordados à flor da pele e sem nenhuma profundidade nem sentido de autocrítica, e toda a estética (que também é narrativa) a apenas replicar o já visto e revisto, como de um filtro padrão (daqueles do Instagram) se aplicasse automaticamente na lente de Wnendt.




















