Muitos dos temas e marginalidades que o realizador norte-americano John Swab evoca no seu cinema – “Candy Land” (2021), “Run with The Hunted” (2020), “Let Me Make You A Martyr” (2016) – vêm da sua própria experiência pessoal. Abusos, fuga do lar, toxicodependência, criminalidade, corrupção das instituições e violência são elementos constantes e essenciais para filmes como “Body Brokers” (2021), talvez o seu filme mais pessoal/biográfico.
Curiosamente, numa altura em que apenas os grandes festivais de cinema europeus (Berlim, Cannes, Veneza) conseguem os maiores nomes da autoralidade norte-americana, certames como Locarno ou Roterdão apontam baterias para um certo tipo de cinema B que vem de terras yankee. Por isso mesmo, “Ida Red” (2020) passou por terras helvéticas em 2020, enquanto o seu mais recente projeto, “Little Dixie” (2023), teve honras de exibição na mais recente edição do certame dos Países Baixos.
Novamente liderado no elenco pelo ator fetiche de Swab, o cada vez mais visível na indústria do cinema de ação Frank Grillo, “Little Dixie” vê num pai que tem de resgatar a filha sequestrada o leitmotiv. Nada de novo, digamos, quando olhamos para tudo o que Liam Neeson tem feito na última década, especialmente depois de “Taken” ter atingido o estatuto de culto. Mas ao contrário do filme de 2008 de Pierre Morel, a “sujidade” e “brutalidade” do universo Swab empurra-nos para os anos 70 e 80 de de Paul Schrader e Abel Ferrara, ainda que minados de clichés e estereótipos que marcaram muito do cinema de ação direct-to-video das décadas de 80 e 90.
É nesse mundo obscuro que Grillo habita, ou sobrevive, como entenderem. Homem de família com pensão alimentícia para pagar e um vício para resolver, ele caminha no dia a dia por terrenos nebulosos, usando o seu treino nas forças especiais para colaborar com um ambicioso governador que acaba de “comprar” uma guerra com um cartel mexicano. No meio dos meandros e escombros imorais da política e corrupção, onde não faltam traições e vinganças implacáveis, Grillo acaba por ver a sua filha raptada pelo cartel mexicano, que exige a cabeça (literalmente) do governador. Nunca retratado como um herói, longe disso, Grillo parte numa missão no submundo para recuperar o controle da situação.
Como produto B, “Little Dixie” é apenas e só eficiente. E embora nunca deslumbre na forma ou conteúdo, tem em Grillo a força principal para nos agarrar até ao fim e devolver algum do espírito do cinema amoral de outras décadas, sem necessidades de fundo sociológico para dar uma suposta profundidade que nunca realmente existe.




















