E assim chegámos ao fim de 2021, um ano atípico em que a Cinemateca Portuguesa esteve encerrada cerca de três meses devido à situação pandémica que temos vivido, mas ainda assim com programas riquíssimos do melhor que o cinema tem para oferecer. Despedimo-nos do ano com as últimas sessões do duplo ciclo “Simone Signoret e Yves Montand: Caminhos Paralelos”, sobre esses dois grandes atores do cinema francês, e ainda o final do programa “O Que Quero Ver”, com vários títulos solicitados diretamente pelos espectadores da Cinemateca.
Em janeiro aguarda-nos a segunda parte do ciclo monumental em torno da obra de Allan Dwan, bem como um programa dedicado ao diretor de fotografia sueco Sven Nykvist, cujo trabalho foi profundamente influente na sétima arte.
Até lá, estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 27 a 31 de dezembro:

Jean de Florette (1986) – Segunda-feira, 27 de dezembro, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro. Marcel Pagnol não foi o único a adaptar ao cinema as suas próprias peças e romances, sempre situados no sul de França (o sotaque meridional das personagens faz parte da identidade deste cinema). Claude Berri adaptou as duas partes do romance L’Eau des Collines, respectivamente Jean de Florette e Manon des Sources. Em Jean de Florette assistimos à guerra surda e sórdida que movem um jovem camponês, Ugolin, e o seu pai (Yves Montand) contra um citadino, Jean de Florette, recentemente chegado à região e cujo terreno é cobiçado pela dupla pai/filho. Por detrás de tudo está a luta pelo acesso à água para a agricultura. Jean de Florette, que não se apercebe das intrigas dos seus vizinhos, acabará por morrer, o que despertará o desejo de vingança por parte da sua filha, Manon.

Manon des Sources (Manon das Nascentes, 1986) – Segunda-feira, 27 de novembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Este filme é a continuação das peripécias de Jean de Florette. Os anos passaram e Ugolin tornou-se próspero com a cultura e a venda de cravos. É chegada a hora de se casar e ele faz a corte a Manon, que se tornara uma bela mulher. Mas há o risco que ela descubra que Ugolin foi responsável pela morte do pai dela. Entretanto, um professor primário chega à aldeia e ele e Manon apaixonam-se um pelo outro. Para vingar-se, Manon bloqueia uma das fontes de água da aldeia, onde o segredo coletivo sobre a morte de Jean de Florette não pode mais ser guardado.

Splendor In the Grass (Esplendor na Relva, 1961) – Quarta-feira, 29 de dezembro, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro // Quinta-feira, 30 de dezembro, 21h30, Sala M. Félix Ribeiro. Este filme adapta uma peça de William Inge que gira à volta dos recalcamentos sexuais (como acontecia em Picnic, peça do mesmo autor, também adaptada ao cinema). Neste caso, as personagens são dois adolescentes à descoberta do amor no fim da década de vinte. Elia Kazan constrói um dos mais dilacerantes e belos poemas de amor no cinema, dando a Warren Beatty e a Natalie Wood os papéis das suas vidas. A sequência em que se invoca o poema que dá o título ao filme é um dos momentos mais perfeitos da História do cinema.

Lonely Are the Brave (Fuga Sem Rumo, 1962) – Quarta-feira, 29 de dezembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro // Quinta-feira, 30 de dezembro, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro. Um clássico escondido de David Miller, baseado num romance de Edward Abbey, que é aqui transposto para o grande ecrã pela pena do famoso argumentista Dalton Trumbo. Kirk Douglas, num dos melhores papéis da sua carreira, ao lado de Gena Rowlands e Walter Matthau, interpreta um cowboy contemporâneo que rejeita o mundo moderno e que fará tudo ao seu alcance para libertar um amigo da prisão, mesmo que tenha de enfrentar a sua própria reclusão. Douglas sempre considerou este western elegíaco um dos seus filmes mais conseguidos, tendo-se envolvido na produção ao adquirir os direitos da obra de Abbey e influenciando a realização de Miller.
Nota: Esta semana volta a ser exibido Le Cercle Rouge (O Círculo Vermelho, 1970), filme recomendado pelo C7nema no início do mês, bem como Let’s Make Love (Vamo-nos Amar, 1960), sugerido na semana passada.

