De 2 de dezembro de 2021 a 31 janeiro de 2022 a Cinemateca irá apresentar a maior retrospetiva jamais feita da obra de Allan Dwan, um dos mais prolíficos realizadores da história do cinema, que algumas fontes creditam como tendo sido autor de cerca de 1600 títulos. Nascido em Toronto, em 1885, Dwan começou a trabalhar em Hollywood aos 26 anos, e colaborou com algumas das maiores vedetas da época, como Gloria Swanson ou Shirley Temple.

Trata-se de uma monumental carreira iniciada na década de 1910, com filmes de uma bobina feitos ao ritmo de três por semana, segundo o próprio afirmava, que se estendeu até ao início dos anos 1960, data de estreia do seu último filme “The Most Dangerous Man Alive“. Cinco décadas de filmes que atravessaram todos os géneros e mais algum, do musical ao filme de guerra, do melodrama ao “noir”, do “western” à comédia, sempre com o mesmo pragmatismo, a mesma inteligência, a mesma modéstia de artesão, as mesmas elegância e imaginação na invenção de ideias visuais e narrativas.
O nome de Dwan esteve esquecido durante muitos anos, quase como se tratasse de uma “relíquia” de outros tempos, como aconteceu com muitos dos pioneiros de Hollywood, mas ao longo das últimas décadas o seu trabalho tem vindo a ser valorizado por várias gerações de críticos e historiadores que voltaram a colocar a sua obra no seu devido lugar: alguém que tanto foi um dos realizadores da primeira linha de Hollywood nos anos 1920 como nas décadas finais da carreira, quando reencontrou a liberdade e a desenvoltura da prática de realizador em produções de série B e baixo orçamento junto de produtores independentes, o mesmo ambiente que tinha nos anos de formação da indústria.
Longe de ser uma integral Dwan, tarefa impossível de cumprir pela inúmera quantidade de filmes perdidos ou de circulação muito restrita, ou até impossíveis de localizar, esta retrospetiva será a mais extensa da obra de Dwan realizada em qualquer parte do mundo até à data, com cerca de sessenta títulos, representativos de todas as fases do seu trabalho, e virá acompanhada por uma pequena edição dedicada ao cineasta, a primeira de uma nova coleção da Cinemateca de cadernos de apoio a ciclos de autores estrangeiros ou temas do cinema internacional.
Ainda não foram anunciados os títulos exatos que serão projetados, mas é de esperar que entre eles se encontrem alguns dos mais populares e conceituados filmes de Dwan, como “Robin Hood” (1922), “Silver Lode” (1954), “Sands of Iwo Jima” (1949), ou “Heidi” (1937).


Allan Dwan, Enid Bennett e Douglas Fairbanks no set de “Robin Hood” (1922). 

