Miguel é um prematuro e jovem escritor, estudante de cinema. Aos 21 anos escreve o seu primeiro best-seller. Maria é uma jovem estudante de psicologia, que nasceu numa família abastada. A fama humilde de Miguel e a procura do estrelato por parte de Maria tornam a sua relação amorosa numa história sem fim e num amor que não é assumidamente par. Os valores humanos e o silêncio criativo levam Miguel a desistir de tudo, desaparecendo durante 3 anos numa incessante procura do verdadeiro sentido da vida. Sempre de olhos postos na crença de que dias melhores virão, no acreditar de uma felicidade que há muito não existe e de que um dia irá morrer feliz. E amanhã?«E Amanhã» marca a estreia no cinema de longa-duração de Bruno Cativo, e irá estrear oficialmente no nosso país no FESTin – Festival Itinerante de Cinema em Língua Portuguesa. Este projecto totalmente independente conta com Pedro Barroso, Diana Nicolau, Joana Fonseca Tavares, Lena Jesus e João Perry.

De que trata ‘E Amanhã’?
“E Amanhã…”, fala essencialmente do primeiro amor. Da primeira vez em que o sentimos e da primeira em que este acaba. O filme está muito focado na temática da solidão porque esta está automaticamente associada a este assunto. É uma história muito humana e real, é baseada numa experiência pessoal que eu quis transformar em filme, obviamente que alterando todo o rumo da história mas sem perder o verdadeiro sentimento e o dramatismo da questão, incutindo-o de forma muito objectiva nos personagens e em todo o ambiente/atmosfera do filme.
Não gosto muito de explicar a história para além disto, e isso está posto em prática nos teasers e trailer do filme. Quero deixar em aberto mas esclarecendo o público à partida de que vão ver um filme dramático e em que os seus personagens sofrem um drama ou seja, não quero estragar o efeito surpresa que o filme pode trazer ao espectador. No fundo este é um tema que irá ser comum a qualquer espectador, todos nós vivenciámos um primeiro amor e o consequente primeiro desgosto de amoroso daí proveniente.
‘E Amanhã’ explora a insatisfação humana e a busca da felicidade. As primeiras obras não costumam ser tão focadas nestes temas. O que te fez querer fazer um filme que explora a condição humana?
Permite-me que discorde da tua opinião. Vejo muito cinema independente, e as minhas grandes influências cinematográficas daí provêem, desde os primórdios do indie como por exemplo Godard em o “Acossado” explora essa temática já nos anos 60, assim como a primeira obra de Ben e Josh Safdie “Vão-me buscar alecrim” ou os filmes de Xavier Dolan “J’ai Tué Ma Mére” e “Les Amours Imaginaires”.
Compreendo que não seja o mais habitual mas tenho visto muitas primeiras obras que procuram o lado mais humano e real, até porque os tempos de hoje assim o pedem. O público tem uma necessidade de se rever no ecrã e nas histórias que lhe transmitam sentimentos verdadeiros que as façam pensar. Penso que ir ao cinema já não é aquele escape simples de ir ver uma grande produção, portanto acho que a minha necessidade de explorar a condição humana veio na era certa e esta história que começou a ser escrita á 5 anos atrás acabou por encontrar em meados do ano passado o seu porto de abrigo. Acho que o meu primeiro filme tinha de ser este, porque queria que fosse um assunto comum a todos os espectadores e que a cima de tudo se enquadrasse no panorama contemporâneo do cinema independente e que não ficasse nem em termos de história nem esteticamente daqui que tanto vejo e gosto de ver nesta particular categoria do cinema.
Como têm sido as reações ao teu filme?
O meu filme só foi exibido uma vez, numa sessão muito especial apenas para convidados no Cineclube de Telheiras. A reação das pessoas foi muito boa ao filme, pelo menos no fim da sessão imensas pessoas se dirigiram a mim e vieram dar-me os parabéns pela obra e por algumas questões específicas do filme como a do texto que é narrado pelo também ator principal Pedro Barroso.
Pedro Barroso é uma agradável surpresa. Como o descobriste para protagonista do filme?
Sem dúvida que o Pedro Barroso será uma excelente surpresa para o público do cinema. Eu trabalhei com ele dois anos na Plural em duas telenovelas. Confesso que ao inicio não simpatizei com a sua representação nem com a sua pessoa mas um certo dia o Pedro decidiu brilhar perante um estúdio onde 20 técnicos ficaram de boca aberta após o famoso “corta” por parte do assistente de realização. Passados alguns dias decidi apresentar-me ao Pedro e entregar-lhe a primeira versão do guião do meu filme e dizer-lhe que ficara completamente extasiado com a sua interpretação e que ele tinha de ser o personagem principal da minha história. Ele aceitou com um grande sorriso aquilo que lhe tinha proposto só de lhe contar o assunto do filme e em menos de 48h leu o guião e disse-me “vamos fazer isto já”. Desde então começamos a trabalhar o personagem e a criar uma amizade que penso ter sido muito importante, na forma em como eu tinha de extrair os sentimentos dele enquanto personagem do meu filme e a necessidade dele se identificar com a minha pessoa e eu com a dele. Houve um processo de “spacing” feito por parte do ator a que eu tive oportunidade e um grande prazer de me juntar em algumas ocasiões e onde vi o “Miguel” nascer. Foi um processo muito bonito, de uma grande entrega e de sentimento humano que para quem conhece o Pedro sabe do que falo, muito humilde, aplicado e não falha com o que se compromete. Acho que todo este processo de identificação de parte a parte está muito presente na imagem e na forma como o filme foi filmado, de outra forma penso que não teria sido possível fazer este filme ou sequer fizesse sentido uma história tão pessoal e dramática em que o ser humano é levado ao limite.
O teu filme importa a linguagem do ‘falso documentário’. Achas que este tipo de abordagem anda a ser mal aproveitado no cinema mainstream?
Acho que o cinema mainstream tem a sua linguagem muito própria, uma vezes mais clássica outras vezes um pouco mais livre mas sem nunca esquecer os poderosos efeitos especiais. Acho que cada tipo de cinema e país têm a sua linguagem, quando um americano tenta fazer um filme europeu ou um europeu um filme americano por norma a coisa não corre bem. Portanto acho que esta temática deve ser explorada no mainstream se o tema ou a história assim o pedirem. Acho que não devemos “cansar” as formas de filmar só porque funcionam muito bem em casos específicos para não generalizarmos o cinema independente que neste momento na minha opinião é onde conseguimos ver as grandes obras, quando digo grandes obras falo de tudo o que as envolve em termos de primeira necessidade que são quanto a mim um guião forte, original e que nos transmita algo de verdadeiro e claro as grandes representações não só por parte de novas caras como de alguns actores bem conhecidos que neste momento continuam bem vivos na tela graças ao “indie”.
Que esperas conseguir de ‘E Amanhã’ ?
Em primeiro lugar, consegui uma coisa muito importante que foi criar um grupo de trabalho muito bom e sem eles não teria sido possível concretizar este sonho de realizar a minha primeira longa-metragem. Agora tenho de ser realista e ver o que consigo arrecadar nos festivais em que o filme for selecionado e ter ser uma réstia de esperança de que o filme possa fazer parte do circuito nacional de distribuição, mas acima de tudo espero que o filme chegue ao maior número de pessoas possível porque só assim um realizador consegue fazer passar a sua mensagem.
Quando o poderemos ver no FESTin?
O filme vai estar no FESTIN dia 15 de Maio às 21h30 na sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge que eu espero ver repleta de pessoas. No dia 17 de Maio estará na Cine Vídeo Expo às 21h e terá a sua sessão de antetreia nesse evento que será marcado também por uma Master Class no fim sobre empreendedorismo no Audiovisual.

