Lar da diversidade francesa, Festival Varilux leva ‘Hors normes’ ao Brasil

(Fotos: Divulgação)

De 19 de novembro a 3 de dezembro, o cinema francês vai viver dias de festa no Brasil com mais uma edição do Festival Varilux, que vai acontecer presencialmente no Rio de Janeiro, em São Paulo e mais uma série de cidades, a responder uma pergunta (…e tanto) sobre a indústria audiovisual: como fica a carreira de um cineasta que mobiliza o planeta com uma história sobre a amizade capaz de vender 19 milhões de bilhetes só no seu país de origem? Esse foi o caso de “Untouchables” (2011) há nove anos. E no caso dos seus realizadores, Olivier Nakache e Éric Toledano, a trajetória segue das mais gloriosas, a julgar pelo trabalho mais recente da dupla, “Hors Normes“. Desde já encarado como a atração nº 1 do novo Varilux, a longa-metragem levou 1,9 milhão de pagantes às salas exibidoras de França no seu primeiro mês em cartaz, vindo de uma aclamada passagem pelo Festival de Cannes de 2019, onde encerrou as atividades da Croisette.

Centrado no quotidiano de dois instrutores de crianças e jovens autistas, buscando a integração deles numa Europa repleta de imigrantes, a tocante dramédia dos responsáveis de “Samba” (visto por 3 milhões de franceses em 2014) e de “Le sens de la fête” (prestigiado por 2,8 milhões de pessoas em Paris, Marselha e arredores) vai integrar uma seleção regada a autoralidade.

Spielberg disse uma vez ‘O que eu faço é filme; os negócios são distrações’. É assim que nós vemos o nosso trabalho”, diz Oliver Nakache ao C7nema numa conversa com a imprensa promovida pelo Varilux esta tarde, no Rio, ao falar da longa-metragem estrelada por Reda Kateb e Vincent Cassel. “Eles são dois jogadores de ténis em cena, trabalhando com precisão e sensibilidade”. 

Laureado com o prémio de júri popular no Festival de San Sebastián, “Hors Normes” (“Especiais” em Portugal, “Mais que Especiais” no Brasil) concorreu ao César, o Oscar de França, em nove categorias. A sua trama nasce da experiência de dois cuidadores de jovens que convivem com o autismo: Stéphane Benhamou e Daoud Tatou. Ao observar a luta de ambos para integrar adolescentes de baixos rendimentos, Toledano e Nakache criaram as personagens Malik (Kateb) e Bruno Haroche (Cassel). Este último tem uma atuação em estado de graça, vivendo um judeu cinquentão que mantém uma ONG ligada ao apoio à socialização de autistas. Numa das cenas de maior tensão do roteiro, ele corre a pé por uma estrada para salvar um rapaz. “Tudo o que buscamos é explorar o que pode haver de poético nas situações mais corriqueiras do dia a dia, sempre com lirismo”, disse Nakache ao C7 quando as filmagens começaram. 

Nos últimos dez anos, ele e Toledado colhem os frutos de “Untouchables“, reflimado na Argentina (com Oscar Martínez e Rodrigo de la Serna) e nos EUA (com Kevin Hart, Bryan Cranston e Nicole Kidman), sendo adaptada a peça nos palcos brasileiros (com Marcelo Airoldi e Ailton Graça).

Ettore Scola diz que o cinema dele é um flagrante da sua época. É um pouco o que este filme tenta ser: a História do agora”, diz Nakache. “A nossa França é a França da diversidade”.

Este Varilux vai promover uma celebração dos 60 anos de “À bout de souffle” (1960). Vai ter ainda “La bonne épouse”, de Martin Provost; “La fille au bracelet”, de Stéphane Demoustier; “Effacer l’historique”, de Gustave Kervern e Benoît Delépin; “Belle Epoque”, de Nicolas Bedos; “DNA”, de Maïwenn; “Une belle équipe”, de Mohamed Hamidi; “Gagarine”, de Fanny Liatard, Jérémy Trouilh; “Mon Cousin”, de Jan Kounen; “Antoinette dans les Cévennes”, de Caroline Vignal; “Notre Dame”, de Valérie Donzelli ; “Le sel des larmes”, de Philippe Garrel; “Persona Non Grata”, de Roschdy Zem; “Slalom”, de Charlène Favier; “Tout simplement noir”, de Jean-Pascal Zadi e John Wax; “Été 85”, de François Ozon; “La fameuse invasion des ours en Sicile”, de Lorenzo Mattotti; e “Capital in the Twenty-First Century”, documentário de Justin Pemberton e Thomas Piketty.

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