Dez atrações que dão ao Festival Tribeca uma assinatura estética de invenção

(Fotos: Divulgação)


Iniciado na quarta-feira com o documentário Halftime, de Amanda Micheli, sobre a cantora Jennifer Lopez, o 21º Festival de Tribeca refirma a sua vocação de ser uma celebração anual de diversidade, no meio das diferentes maratonas cinéfilas dos EUA, incluindo discussões antirracistas, lutas contra a trans/homofobia e a guerra antissexista por equidade de géneros. É essa a sua meta desde a sua criação, em Nova Iorque, em 2002, apoiada no empenho do ator Robert De Niro. Touro enraivecido do audiovisual americano, ele fundou o evento em parceria com a produtora Jane Rosenthal e o investidor Craig Hatkoff, como resposta à tragédia do 11 de Setembro. O seu intuito era levantar a moral da cidade, mas acabou construindo uma vitrine para a invenção. A edição deste ano, que vai até 18 de junho, chega cheia de promessas. Confira alguns dos títulos que se candidatam a filme de culto:

A Matter of Trust

A Matter Of Trust, de Anette K. Olesen: A Dinamarca vai concorrer aos prémios da mostra de longas-metragens estrangeiras de Tribeca, apoiando-se em Trine Dyrholm (“Rainha de Copas”). É um filme-coral com cinco núcleos dramáticos que colidem ao longo de um dia, num verão. Trine é a atriz mais conhecida de um elenco escandinavo empenhado em retratar a solidão da contemporaneidade. Numa trama sobre confiança, as vidas de um médico, uma estudante e de um casal chocam, com consequências divertidas.

Karaoke, de Moshe Rosenthal: Uma comédia israelita sobre um casal de classe média suburbano sexagenário que reinventa a sua vida ao se aproximar de um vizinho que tem um karaoke e recebe os amigos para cantar – além de “lavar roupa suja“.

A Wounded Fawn, de Travis Stevens: Uma das promessas mais pop de Tribeca em 2022. É um thriller à la Giallo, à moda Dario Argento, mas com uma diferença: a suposta “vítima” é que é o real perigo. No guião, um psicopata atrai uma mulher com o intuito de acrescentar o seu corpo a seu rol de “troféus de caça”. Mas há algo de muito errado com ela.


We Might As Well Be Dead, de Natalia Sinelnikova:
Produção teuto-romena centrada em uma série de excentricidades de um condomínio, detonadas depois do desaparecimento de um cão.

A Love Song

A Love Song, de Max Walker-Silverman: Exibido em Sundance, no Panorama da Berlinale e no Festival de Sofia, na Bulgária, de onde saiu com o prémio do Júri Jovem, este lúdico drama de amor explora as paisagens rochosas do Colorado, apoiado numa atuação magistral de Dale Dickey. Ela vive Faye, uma mulher solitária que espera fazer as pazes com as memórias de uma paixão do passado num camping de autocaravanas. Wes Studi integra o elenco.

Katrina Babies, de Edward Buckles Jr.: Um documentário sobre o impacto da tragédia natural que o Katrina deixou na vida de populações negras pobres dos EUA, na década passada.

El Visitante, de Martín Boulocq: Vem da Bolívia a saga de um ex-presidiário que sai do cárcere para refazer a sua vida com a filha, sendo obrigado a encarar o fervor religioso de um pastor evangélico que adotou a jovem.

Nothing Compares, de Kathryn Ferguson: Nova York vai assistir a este esperadíssimo ensaio documental sobre a vida da cantora Sinead O’Connor, focado nos seus deslizes, sucesso, experiência com a maternidade e a iconoclastia.

My Love Affair with Marriage, de Signe Baumane: Vinda da Letónia, esta realizadora de 57 anos abre uma discussão sobre a fragilidade do casamento a partir de um diálogo com mitos de diferentes cantos da Europa e com a cultura pop.


Carajita, de Silvina Schnicer e Ulises Porra: O vencedor da competição Novos Realizadores de San Sebastián, em 2021, vai ganhar uma montra nos EUA. Nesta coprodução entre a República Dominicana e a Argentina, uma jovem de classe média, Sarah (Cecile van Welie), tem uma relação filial de amor com a sua ama, Yarisa (Magnolia Nunez), até que um conflito inesperado provoca uma revolução na vida de ambas, que passa por preconceitos de classe.

God’s Time, de Daniel Antebi: Atores profissionais saídos de uma crise de dependência química, Dev (Ben Groh) e Luca (Dion Costelloe) dividem uma paixão pela jovem Regina (Liz Caribel Sierra), que está à beira de cometer um crime: matar o seu ex-marido. Entre todas as narrativas de Tribeca, em 2022, esta é a que promete a maior dose de adrenalina.   

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