Filmado na Bielorrússia “sem qualquer apoio estatal“, como se lê logo a abrir o documentário, “Welded Together” evoca logo no seu título ao que vem: as tentativas de uma soldadora em unir as pontas da sua família caída sobre os olhos da segurança social devido ao alcoolismo da figura maternal.

É a jovem Katya, com pouco mais de vinte anos, o centro desta obra filmada por Anastasiya Miroshnichenko com tanto de técnica como coração. É ela que vemos, dentro de um camião, a atravessar a paisagem nevada da Bielorrússia, a caminho do trabalho. Laborando seis dias por semana e ganhando 200 euros, ela é (muito bem) vista no emprego e um exemplo dos novos tempos numa profissão que ao longo de séculos foi vista como trabalho masculino. Considerando-a a melhor soldadora da empresa, o patrão e colegas apenas têm uma queixa em relação a si: o facto de nunca sorrir. A verdade é que por trás do seu foco na carreira, ela não consegue esquecer o seu duro passado de abandono ligado ao alcoolismo da mãe, que agora tem a seu cuidado uma outra criança, Amina, uma meia-irmã, que também não consegue educar e proteger convenientemente.

Por isso mesmo, na busca de confrontar o passado e proteger a irmã mais nova, Katya decide mudar-se para a cidade de Brest, viver novamente com a mãe, enquanto prossegue na caça aos seus sonhos laborais, participando mesmo numa feira da especialidade e num concurso de jovens talentos. Porém, conversa atrás de conversa, atitude atrás de atitude, rapidamente Katya persegue que nada vai mudar na vida da mãe, que apesar dos frequentes choros e arrependimentos, nunca sugere que vai ultrapassar o seu problema. Aliás, bem pelo contrário, ela frequentemente passa manhãs, tardes e noites fora de casa entregue ao álcool, que começou a consumir compulsivamente após a morte do marido, que ocorreu quando Katya tinha seis anos.

Filmando de forma observacional, e impulsionando as emoções com um trabalho exemplar na fotografia de Pavel Romanenya, Anastasiya Miroshnichenko faz não apenas uma análise pessoal de uma jovem em crise, presa entre o sacrifício e o acreditar na mudança, como também numa família em rutura e uma sociedade que não sabe lidar convenientemente com o problema do alcoolismo. Sem nunca cair no exploratório, a realizadora captura também uma movimentação comunitária no apoio à jovem Katya que, por ter já mais de 18 anos, legalmente não tem nenhum privilégio sobre a meia-irmã quando começa a ponderar adotá-la e retirá-la da casa materna.

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Pontuação Geral
Jorge Pereira
welded-together-soldar-os-lacos-familiaresFilmando de forma observacional, e impulsionando as emoções com um trabalho exemplar na fotografia de Pavel Romanenya, Anastasiya Miroshnichenko faz não apenas uma análise pessoal de uma jovem em crise, presa entre o sacrifício e o acreditar na mudança, como também numa família em rutura e uma sociedade que não sabe lidar convenientemente com o problema do alcoolismo.