Um engenheiro de efeitos sonoros britânico (Toby Jones) habituado a trabalhar em documentários sobre a natureza que vai ter uma experiência de pesadelo quando tem de desenvolver um trabalho nos estúdios italianos que dão título à obra.
O segundo filme de Peter Strickland (que encantou todos incluindo o c7nema com «Katalin Varga») é um tributo ao giallo, género italiano de suspense popular nos anos 60, 70 e 80, caracterizado por excessos de estética e um total assalto aos sentidos de espectador.
O c7nema falou com Strickland antes da estreia de «Berberian Sound Studio» no Fantasporto 2013.
Como surgiu «Berberian Sound Studio»?
Normalmente num filme, as mecânicas e processo são escondidos do espectador. Como este filme quis fazer o oposto, revelar como os mecanismos do filme funcionam sem mostrar o filme.
O que é curioso no terror de efeitos e truques são os seus extremos: violência exagerada em tudo, até quando as personagens estão a cortar legumes os efeitos sonoros são intensos.
O que devem os espectadores fazer? Rir ou ficar incomodados?
Estou fascinado com a sonoplastia e o seu papel no cinema de género italiano “Giallo“. O som da faca na alface é algo inocente e normal, mas se lhe dermos o contexto de uma mulher a ser esfaqueada é perturbador.
«Berberian Sound Studio» pega nos sons domésticos e inocentes e põe-nos num contexto de terror.
De onde veio esta tua paixão pelo Giallo?
É um estilo de cinema incrivelmente vital – a atmosfera neste filmes é única. É mais que uma combinação de banda sonora, cinematografia, desin, etc. É inexplicável.
Os filmes giallo são mais que terror, e tem um sentido de beleza estranho e sedutor.
As bandas sonoras são fenomenais, adoro os trabalhos de Ennio Morricone, Bruno Nicolai, Stelvio Cipriani, Claudio Gizzi, Nicola Piovani, Fabio Frizzi, Claudio Simonetti e Riz Ortolani. Criaram música única para filmes giallo.
O filme «The Bird with the Crystal Plumage» tem uma banda sonora avant-garde do Morricone que é fantástica: tem jazz, tem elemento atónicos, é brutal.
Por outro lado adoro os títulos destes filmes, coisas como «The Strange Vice of Mrs. Wardh», «Lizard in a Woman’s Skin», «Your Vice is like a Locked Room and Only I have the Key», «Death Laid an Egg» e «The Case of the Scorpion’s Tail».
O meu favorito é «Suspiria» que não é tecnicamente muito “giallo” mas que é tão operático, bombástico e barulhento que me encanta. Estes filmes são o lado realmente psicadélico do cinema. “Berberian Sound Studio”
O que deve o público do Fantasporto esperar de “Berberian Sound Studio” ?
Zero sangue.
“Katalin Varga” foi muito bem recebido em Portugal, apesar de ter sido distribuído atrasado e em poucas salas. Como pensas que as pessoas vão reagir a este teu segundo filme?
Não faço ideia. O filme já teve passagens em festivais desastrosas e outras boas. É impossível prever como o público vai reagir mas essa é uma das partes divertidas de fazer cinema.
Vais estar presente no Fantasporto?
Não devo poder. Nunca estive em Portugal e adorava ir, mas infelizmente não tenho tempo.
Quando o «Katalin Varga» saiu, em conversa com o c7nema, disseste que ganhavas mais dinheiro a trabalhar para a companhia dos telefones do que a fazer filmes. Ainda é assim?
Depende da companhia de telefones em questão! As coisas estão melhores agora, mas ainda tenho de pagar a renda ao meu senhorio todos os meses como qualquer pessoa da minha geração.
O “The Guardian” descreveu-te como um realizador-chave da nova geração do cinema britânico”. Qual foi a tua reação a esta descrição?
Eu tenho ignorar elogios e insultos. Mais começa a acreditar quer nuns quer noutros, a tua sanidade e o teu trabalho ficam em risco.
Tens um novo filme na calha?
Parece que sim, mas ainda não está certo. Não quero ter esperanças altas e depois sair desiludido. É uma história de amor chamada «The Duke of Burgundy» que eu escrevi muito recentemente. É uma história muito simples que estou ansioso por filmar.

