Entrevista a Chauntal Lewis (protagonista de «TBK: Toolbox Murders 2»

(Fotos: Divulgação)

Muito provavelmente poucos se lembram do filme-choque de 1978, um video nasty que surgiu no rescaldo do sucesso de «The Last House on the Left», de Wes Craven, e «Texas Chainsaw Massacre», de Tobe Hooper. A produção de 185 mil dólares alegava ser baseada em factos verídicos para espalhar o pânico nas violentas mortes da sua cena de abertura: um homem com uma máscara de esqui torturava e matava uma série de mulheres com diversas ferramentas domésticas.

Mais odiado do que apreciado (o filme conta com 0% no Rotten Tomatoes e apenas 2.2 em 10 no IMDb), a obra de Dennis Donnelly resistiu aos anos como um dos precursores do torture porn — género que inclui filmes contemporâneos como «Saw» e «Hostel».

Curiosamente, em 2004 foi o próprio Tobe Hooper a recuperar este maléfico assassino num remake que desenvolveu a história e elevou os valores de produção. O filme contava com Angela Bettis («May») e Juliet Landau (da série «Buffy, a Caçadora de Vampiros»), e acompanhava um casal que se mudava para uma casa recuperada onde, dentro das paredes, vivia um serial killer rodeado de cadáveres.

Agora, é a vez do experiente técnico de efeitos especiais Dean Jones («Star Trek», «Piratas das Caraíbas») se estrear atrás das câmaras com a sequela, «TBK: The Toolbox Murders 2», que retoma a narrativa onde o original terminou. Os sobreviventes Nell e Stephen são levados para o Hollywood Memorial Hospital, enquanto Cole e Barnes investigam as catacumbas onde vive o assassino da caixa de ferramentas. Samantha Stevens é uma jovem presa neste inferno que conhece todos os segredos do assassino e como travar o seu reinado de mal.

O C7nema falou com a ascendente atriz Chauntal Lewis, que interpreta precisamente esta misteriosa Samantha, no seu grande salto do cinema underground de Hollywood (onde se destacou em «The Commune», das irmãs Fies, um ícone do terror feminista).

As primeiras imagens revelam que «TBK» será uma entrada particularmente dura no registo do torture porn que dominou o terror dentro e fora de Hollywood nos anos 2000 (com títulos comerciais como «Saw» e «Hostel», mas também obras independentes e world cinema como «Wolf Creek», «The Woman» e, no limite, «A Serbian Film»). Para tal, a vasta experiência do realizador Dean Jones como técnico de efeitos de maquilhagem salta à vista num trailer sangrento e vistoso.

O que devemos esperar de «TBK: Toolbox Murders 2»?

«TBK2» vai ser muito diferente do filme original e do remake que o Tobe Hooper fez em 2004. Há aqui elementos de tortura que nunca foram vistos no cinema. O grau de violência psicológica associado à física dá ao filme uma dimensão diferente do cliché em que se tornou o género torture porn. Existe um ambiente reminiscente de David Lynch, que creio ser uma das grandes inspirações do Dean (Jones, o realizador). Ele chegou a trabalhar com o Lynch em «Blue Velvet», por isso é compreensível.

Como se insere a tua personagem frágil em toda esta violência?

A minha personagem chama-se Samantha Stevens e é uma jovem delicada, física e psicologicamente. Mas o filme mostra que a vontade de sobreviver a situações-limite pode levar-nos a descobrir vertentes da nossa pessoa que desconhecíamos. A vontade de Samantha sobreviver é mais poderosa do que a maldade do TBK (Toolbox Killer). Ao contrário de muitos filmes de terror, aqui acompanhamos uma mulher que luta não só fisicamente, mas também mentalmente. O filme desafia os limites da sobrevivência humana. Diria que os espectadores serão confrontados com uma visão surreal do que uma pessoa é capaz de fazer para suplantar o mal.

Quais foram as tuas referências para este filme?

Eu adoro thrillers psicológicos. É um género que explora o ser humano em situações-limite e que pode assimilar conceitos sobrenaturais sem depender deles. Recentemente vi «Black Swan» («Cisne Negro») e o que mais me cativou foi a forma como o essencial era a personagem — o que ela sentia e fazia — mais do que o contexto e a narrativa em que estava inserida.

Qual seria o teu papel de sonho?

Ironicamente, o meu papel de sonho seria numa comédia inspiradora. Eu adoro rir e fazer rir. As minhas principais inspirações são a Goldie Hawn e a Meryl Streep, por isso adorava trabalhar com elas.

Tens feito muitos filmes de terror, desde «Toolbox Murders 2» até «The Commune», passando pela tua estreia em «The Séance» (2006). Tens uma atração especial pelo género?

É curioso, porque nunca me dediquei ao cinema de terror nem como atriz nem como espetadora. Quando era pequena, evitava ver filmes de terror. Agora que já trabalhei em alguns, começo a apreciar muito mais o género e os limites que ele quebra. Talvez antes não tivesse consciência de que o terror é povoado por um imaginário muito forte e por personagens em situações-limite. Creio que, como muitos espectadores, apenas percecionava o género como sangue e tripas.

Como foi trabalhar com o veterano Bruce Dern (nomeado para o Óscar de Melhor Ator Secundário por «Coming Home», de 1978)?

Foi uma experiência surreal, uma validação importante. Quando contracenávamos, ele descrevia a ação sempre como «uma dança», que queria ensaiar de forma graciosa antes de a tornar real em frente à câmara. Dizia-me: “Apenas joga este jogo comigo e dança comigo” (Just play the game and dance with me) antes de uma cena mais intensa. Revelou-se um grande amigo e também uma pessoa importante para a minha valorização como jovem atriz em Hollywood.

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