Com a alma de melodrama chorão e incapaz de se decidir se é um thriller dramático ou um drama familiar, a nova incursão de Vivian Qu acaba por desapontar, não apenas pelas indecisões e tropeções narrativas que demonstra ter no core do seu “Girls on Wire”, mas porque a montagem (nas transições entre passado e presente, com recurso a flashbacks pesados) e algumas decisões clichés da direção de fotografia (mostrar consumo de drogas, por exemplo) são tão antiquadas que não conseguem tirar o filme de uma toada exploratória quase telenovelista. Junte-se a isso alguns momentos sofríveis nas interpretações principais e temos a receita para o desastre, embora o último terço e o foco do filme dentro filme acrescente notas artísticas que revelam talento.
As primas Tian Tian (Liu Haocun) e Fang Di (Wen Qi) eram inseparáveis quando eram crianças, mas a vida – as mudanças económicas e sociais, além das decisões pessoais – levou-as a criar distanciamento. Serão as dívidas e o consumo de drogas forçado de uma delas que a obriga a escapar e reencontrar a parente, que faz vida no mundo do cinema, mas não é propriamente uma estrela.
Viajando entre passado e presente, Vivian Qu vai traçando a história de uma família fragmentada que atravessa tempestades emocionais até à separação e reencontro, tendo no processo de escapar a gangsters – comandados por uma tal de Madame Yang – que se interpõem pelo caminho, o que às vezes até traz um certo humor (em particular nas cenas dentro dos estúdios de cinema) que torna o filme, muitas vezes excessivo no drama, mais prazeroso de assistir.
Mas, no conjunto, “Girls on Wire” é uma salganhada que artisticamente fracassa e que, nas idas à frente e atrás da história, procurando reforçar o impacto dramático na atualidade, tropeça nos próprios pés através de inúmeras decisões estilistas que, ao invés de o reforçarem, retiram qualquer tipo de credibilidade.



















