Río Escondido (1948) é uma marca da relação antiga de Karlovy Vary com o cinema mexicano, lembrando que Emilio Fernández enviou várias obras para o festival a partir deste título.
Neste melodrama, que regressou à cida checa na retrospetiva Out of the Past – KVIFF 60/80, a professora Rosaura Salazar, interpretada por María Félix, é enviada pelo Presidente do México, Miguel Alemán (a fazer dele próprio), para uma aldeia onde ainda predominam relações feudais dominada pela ignorância, corrupção e violência. A ideia é fazer desta professora uma força moral da missão civilizadora do México pós-revolucionário. É ela que leva a escola, a alfabetização, a higiene e a saúde a um território ainda dominado pelo caciquismo, representado pela figura de Don Regino Sandoval, um homem que age como dono da região e das suas gentes.
“Parece mentira que por trás de uma força tão grande se esconda a morte.”, diz a certo momento o tutor da professora, ao saber que esta mulher tem uma doença cardíaca letal, mas que mesmo assim aceita a missão de levar o estado ao interior.
Nacionalista e propagandistico, este filme de “estado” encontra em Rosaura uma mártir que carrega no seu corpo doente a promessa de um país moderno. É o México oficial a sonhar-se no ecrã e a pedir mártires para sustentar o seu sonho.
A realização de Fernández e a fotografia de Gabriel Figueroa, também premiada em KV, trazem à obra uma dimensão mítica, predominando um interesse nos rostos, na terra seca, nos céus monumentais e na figura quase escultórica de María Félix.

