De regresso à cidade francesa de Angers, o Premiers Plans – Festival du Film Européen d’Angers arranca este sábado, 17 de janeiro, para mais uma edição marcada pela descoberta de novos cineastas europeus e pela valorização da história e do património do cinema.
O júri da competição de longas-metragens, composta por nove filmes europeus, será presidido este ano por Thomas Cailley, realizador de Le Règne animal (O Reino Animal), enquanto a realizadora e argumentista Iris Kaltenbäck assume a presidência do júri das curtas-metragens.
A programação integra ainda várias secções paralelas, entre as quais Diagonales, dedicada a formas mais ousadas e inesperadas, Films d’école, Plans animés, e Chenaplans, pensada para o público mais jovem.
A presença portuguesa está cimentada em cinco filmes com autoria ou coprodução lusa integrados em diferentes secções do programa, com destaque para Anoche Conquisté Tebas, de Gabriel Azorín, uma longa-metragem de ficção a dois tempos (passado e presente) selecionada para a secção Diagonales. Já a curta-metragem de ficção Sol Menor, de André Silva Santos, que acompanha um professor de flauta em luto, representa Portugal em competição nas Curtas-metragens Europeias.

A animação portuguesa surge com particular força: Seul comme un chien, de Marta Reis Andrade, explora a solidão e a velhice através da relação entre um cão abandonado e um homem isolado, enquanto Amarelo Banana, de Alexandre Sousa, integra a secção Plans animés, num mergulho onírico sobre insónia, alienação urbana e comunidades invisíveis. Completa o conjunto Parce qu’aujourd’hui c’est samedi, de Alice Eça Guimarães, uma curta sem diálogos que reflete sobre o trabalho doméstico, a criatividade e o espaço mental feminino.

O festival volta também a afirmar-se como um espaço de estreias e antestreias em território francês. Entre os títulos apresentados contam-se In Motion, com Juliette Binoche atrás da câmara, Couture, de Alice Winocour, com Angelina Jolie no elenco, Victor comme tout le monde, de Pascal Bonitzer, filme de abertura do festival; e O Bolo do Presidente, de Hasan Hadi, exibido na sessão de encerramento.
Como é habitual, o certame inclui retrospetivas e focos temáticos, destacando este ano o cineasta alemão Werner Herzog, bem como as atrizes Karin Viard e Laetitia Dosch, ambas presentes no festival. Dois focos temáticos completam a programação: um dedicado à cidade de Nápoles e outro centrado no universo judicial, sob o tema Juízes e testemunhas. É precisamente uma imagem de Nápoles, retirada de um filme de Paolo Sorrentino, A Mão de Deus, que serve de cartaz do certame, que mantém igualmente uma forte aposta na formação e no acompanhamento de novos talentos através de concursos, mesas-redondas, conferências, masterclasses e encontros profissionais, com especial destaque para os Ateliers d’Angers, que decorrem de 19 a 24 de janeiro e apoiam cinco cineastas em fase de preparação da sua primeira longa-metragem de ficção.

