As Herdeiras: Paraguai regressa ao grande ecrã

(Fotos: Divulgação)

Pouco conhecido fora das suas fronteiras, e lembrado sobretudo por obras documentais como Bajo Las Banderas, El Sol, por um ensaio metafísico como EAMI e por uma comédia como 7 Cajas, o cinema paraguaio recuperou a notoriedade internacional com o sucesso do drama de tonalidades queer As Herdeiras, aclamado em múltiplas frentes na Berlinale de 2018. A atriz Ana Brun, coroada com o Urso de Prata há sete anos, chegou ao Brasil na sexta-feira para receber uma homenagem na abertura do festival Bonito Cine Sur, em Mato Grosso do Sul. A homenagem garante a volta do longa-metragem, realizado por Marcelo Martinessi, às salas de cinema brasileiras. Em Portugal, o filme pode ser visto na plataforma de streaming Filmin.PT.

Ana Brun

Esta saga de redenção afetiva e social foi o filme mais premiado entre os concorrentes da competição internacional do Festival de Gramado de 2018. Desceu a serra gaúcha — onde se realiza o festival — com seis prémios: conquistou os Kikitos de Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Atriz (para o trio Ana Brun, Margarita Irun e Ana Ivanova), além das distinções atribuídas pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema e pelo júri popular. Com este resultado, o seu currículo de prémios atingiu as 37 distinções, começando pelo prémio de Experimentação de Linguagem (anteriormente chamado Prémio Alfred Bauer), entregue a Martinessi na Berlinale. Este prémio destina-se a filmes que abrem novos paradigmas estéticos na representação cinematográfica. Na capital alemã, a obra conquistou ainda o Urso de Prata de Melhor Atriz, atribuído a Ana Brun, e o prémio da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci).

Na trama delicada de As Herdeiras, Chela (Ana Brun) e Chiquita (Margarita Irun) vivem uma história de amor há três décadas. Contavam com uma herança familiar — considerável — para sustentar o seu quotidiano em Assunção. Quando o dinheiro se esgota, começam a vender os seus bens. No meio da crise, Chiquita é presa por fraude bancária. Sozinha, Chela vê-se obrigada a reinventar a sua vida, oferecendo-se como motorista a senhoras de classe média alta. Neste processo de transformação, cruza-se com uma jovem, Angy (Ana Ivanova), e enfrenta uma nova metamorfose, desta vez afetiva.

Que lindo ver as cores da bandeira do meu país aqui no evento“, disse Ana Brun ao chegar ao Centro de Convenções de Bonito.

Durante a Berlinale de 2018, Martinessi — que atualmente trabalha num novo longa-metragem intitulado Narciso — explicou ao C7 que “o Paraguai é um dos países mais desiguais do mundo“. “Por isso, era importante que o filme retratasse Chela e Chiquita num momento de desarmonia não só no âmbito afetivo: o contingente social delas também deveria estar em crise“, disse Martinessi.

O Bonito Cine Sur segue até o dia 2 de agosto.

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