Depois de ter saído de Cannes com o Grande Prémio do Júri, Minotaur, de Andrey Zvyagintsev, venceu o Sydney Film Prize na 73.ª edição do Festival de Cinema de Sydney (3 a 14 de junho).
A decisão coube a um júri internacional presidido pelo realizador brasileiro Kleber Mendonça Filho e composto por Ildikó Enyedi, Boo Junfeng, Ari Wegner e Sally Riley.
Situado na Rússia contemporânea, Minotaur segue a lógica de thriller para observar o abuso de poder, o medo e a vigilância. Descrevendo-o como “fortemente hitchcockiano”, o júri salientou a forma como Zvyagintsev transforma a tensão narrativa no retrato político de um país onde a linguagem, como afirmou o próprio Zvyagintsev, parece também estar em luta.
Entre os restantes vencedores do certame australiano, Sukundimi Walks Before Me, de Mataslia Freshwater e Lachlan McLeod, conquistou o Sustainable Future Award, ao seguir a luta de uma comunidade indígena da Papua-Nova Guiné para proteger o rio Sepik da ameaça da mineração.
Já Ceremony, de Banchi Hanuse, recebeu o First Nations Award. Cruzando documentário e encenação, o filme viaja até às terras Nuxalk, localizadas na costa central da Colúmbia Britânica, no Canadá, para reconstruir histórias familiares e memórias apagadas pela violência colonial.
Finalmente, o Documentary Australia Award foi entregue a Time and Tide, de Vee Shi, que parte de uma história familiar para observar como os laços podem ser, simultaneamente uma herança afetiva e um fardo difícil de deixar para trás.
A edição deste ano do Festival de Cinema de Sydney foi, segundo a organização, a mais concorrida da história do festival, com cerca de 170 mil espectadores.

