Morreu aos 79 anos o cartunista, artista gráfico, ilustrador e realizador de filmes de animação Marcell Jankovics, anunciou a Academia de Artes Húngara (MMA) este sábado.
Nomeado ao Oscar de melhor curta-metragem por “Sisyphus” (1974) e vencedor da Palma de Ouro em Cannes por “Küzdök” (1977), Marcell Jankovics nasceu em Budapeste em 1941 e começou a desenhar bandas-desenhadas inspirado nas histórias de Oscar Wilde e Ray Bradbury.
Em 1960, quando tinha 19 anos, conseguiu um emprego na Pannonia Film Studios, estreando-se na realização com a popular série de animação “Gusztáv” em 1964. A mitologia e folclore húngaro estariam em destaque na sua obra desde a sua primeira longa-metragem, “János vitéz” (1973), feita para o 150º aniversário do autor Sándor Petöfi.
O seu último trabalho, “The Tragedy of Man“, começou a produção em 1988, mas diversos problemas levaram a que só fosse terminada em 2011. Baseado na peça “A Tragédia do Homem“, de 1861, de Imre Madách, a narrativa passa-se em várias épocas diferentes, abrangendo desde a criação bíblica até um futuro distante, e segue Adão, Eva e Lúcifer enquanto exploram a humanidade e o significado da vida. Cada segmento possui um estilo visual diferente para refletir a arte dos respetivos períodos de tempo.
Pelo caminho, e de forma surpreendente, colaborou no filme da Disney “Pacha e o Imperador” (2000): “Estava interessado em trabalhar com eles e convinha-me“, disse o realizador em 2015 numa entrevista ao Cartoon Brew. “A história (…) era muito semelhante ao meu filme ‘János Vitéz‘. Além disso, precisava do dinheiro para continuar a trabalhar em ‘The Tragedy of Man‘. A Disney fez-me uma oferta generosa; Pedi o dobro. No final, chegámos a um acordo. Além disso, queria conhecer o estúdio. Por isso disse sim.“
Sobre os seus filmes, a MMA, onde Jankovics foi nomeado presidente honorário, disse que “com as suas obras despojadas e únicas, Jankovics quis criar uma experiência catártica, surpreendente e provocadora. ”

