O ativista, editor, comentador político e cineasta Lokman Slim foi encontrado morto, esta quinta-feira, no sul do Líbano. De acordo com a imprensa local, Slim foi assassinado com quatro balas na cabeça e uma nas costas.
Rasha al-Ameer, irmã do falecido, sugeriu que ele havia sido morto pelas suas críticas ao Hezbollah, organização política e paramilitar fundamentalista islâmica que opera no Líbano. A organização já veio a público negar as acusações, condenando o assassinato.
Nascido numa família xiita proeminente, Lokman Slim estudou filosofia e línguas antigas na Sorbonne em Paris e dirigiu um centro de pesquisa no Líbano. Ele fez documentários com a sua esposa e liderou esforços para construir um arquivo sobre a guerra civil do Líbano de 1975-1990.
Ao longo da sua vida, Slim descreveu as táticas de intimidação do Hezbollah, apoiadas pelo Irão, e as suas tentativas de monopolizar a política libanesa. Mais recentemente, afirmou mesmo numa rede de televisão do Médio Oriente que acreditava que a organização teve um papel importante na explosão no porto de Beirute em agosto passado, matando 200 pessoas e ferindo milhares.
No cinema, Slim lançou em 2005 o documentário “Massaker” (2005), exibido na secção Panorama do Festival de Berlim. Vencedor do prémio FIPRESCI, nele apresentava seis dos assassinos que perpetraram o massacre de Sabra e Shatila, que decorreu entre 19 e 20 de setembro de 1982. Milhares de refugiados civis palestinos e libaneses faleceram nesse massacre.
Mais recentemente ele realizou, juntamente com a sua esposa Monika Borgmann, o documentário “Tadmor” (2016), premiado em certames como o Visions Du Réel e o Festival de Hamburgo. No filme acompanhamos um grupo de ex-detidos libaneses que – no meio da revolução síria – decidem quebrar o seu silêncio sobre os anos que passaram detidos em Tadmor (Palmira), uma das prisões mais terríveis do regime de Bashar al-Assad.
“O seu assassinato é uma perda muito grande para o Líbano, para a cultura”, disse o conhecido jornalista libanês Hazem Saghieh, acrescentando que Slim “era dos poucos que falava o que pensava.”

