O realizador russo Aleksandr Sokurov, conhecido por obras como “Russian Ark” (2002) — vencedora do Leão de Ouro —, “Mother and Son” (1997), “Faust” (2011) e “Fairytale – Sombras do Velho Mundo” (2022) regressa ao Festival de Cinema de Veneza com “Director’s Diary“, um projeto de cinco horas que se apresenta como uma “biografia espiritual” da Rússia e uma meditação cinematográfica sobre a memória histórica, a identidade coletiva e a condição humana.
A obra, inteiramente escrita e realizada por Sokurov, será exibida fora de concurso na 82.ª edição do festival, que decorre de 27 de agosto a 9 de setembro.
A sinopse oficial destaca que “as imagens são legíveis, como páginas de um livro — por vezes inesperadas, mas sempre simbólicas e emocionalmente evocativas”. Sokurov convida o espectador a uma jornada introspectiva, onde o vasto território russo, os seus habitantes e visitantes são vistos através do prisma do próprio realizador.
Filmado inteiramente em São Petersburgo e em língua russa, o projeto é uma coprodução entre Rússia e Itália, realizada sem financiamento institucional ou público. A pós-produção foi desenvolvida ao longo de sete meses em Ancona, Itália, graças ao trabalho técnico de uma equipa italiana especializada, em estreita colaboração com a equipa de Sokurov.
Sobre a obra, Sokurov manteve o seu estilo lacónico: “O que posso acrescentar ao monólogo do meu filme, que vos falará durante cinco horas? Vejam-no com paciência, com um coração compassivo, com atenção. Esta história também diz respeito à vossa pátria, ao vosso país, ao vosso povo. Uma única palavra: o Velho Mundo não muda.“

