Depois de anunciar Jodie Foster como convidada de honra e uma das escolhidas para a entrega da Palma de Ouro pela carreira, o Festival de Cannes revelou que Marco Bellocchio vai receber semelhante distinção na cerimónia de encerramento, a decorrer a 17 de julho de 2021.
Esta homenagem à obra do cineasta será ainda complementada com a exibição durante o certame do novo filme do italiano, o documentário “Marx Can Wait“, inserido na novíssima secção Cannes Première.
De acordo com o festival, neste novo trabalho muito pessoal, “o cineasta tenta compreender, humilde e retrospectivamente, o suicídio do seu irmão gémeo aos 29 anos de idade. Uma tragédia familiar da qual nunca recuperou e que foi, ao mesmo tempo, uma fonte de culpa e inspiração. Misturando trechos dos seus filmes e conversas com pessoas próximas a ele, Bellocchio investiga a figura fraterna que nunca pára de assombrar a sua filmografia“.
Bellocchio é um velho conhecido do Festival de Cannes. Depois de se afastar do neorrealismo logo na sua primeira longa-metragem, “Fists in the Pocket” (I pugni in tasca, 1965), Bellocchio assinou filmes como “A Leap in the Dark” (Salto no Vazio) que conquistaram prémios no certame (melhores atores a Michel Piccoli e Anouk Aimée) em 1980. Posteriormente, foi regularmente selecionado para a Competição com “Henrique IV” (Enrico IV) em 1984; “The Prince of Hombourg” (Il principe di Homburg) em 1997; “The Nanny” (La Balia) em 1999, “L’ora di religione – Il sorriso di mia madre” em 200; “Vencer” (Vincere) em 2009; e “O Traidor” (Il Traditore) em 2019.
“O Marco sempre questionou instituições, tradições, história pessoal e coletiva. Em cada uma das suas obras, quase involuntariamente, ou pelo menos tão naturalmente quanto possível, revolucionou a ordem estabelecida”, disse Pierre Lescure, Presidente do Festival de Cannes, sobre o cineasta.
Já Thierry Frémaux, Delegado Geral, acrescentou: “Temos o orgulho de distinguir Marco Bellocchio, um dos grandes mestres do cinema italiano após 56 anos de trabalho fascinante, em sucessão aos seus amigos realizadores Bernardo Bertolucci, Manoel de Oliveira e Agnès Varda. Ele é cineasta, autor e poeta. Honrá-lo com a Palma de Ouro Honorária é evidente para todos que admiram o seu trabalho. ”

