Tal como “Mon Inseparable” e um par de outras produções bem recentes, “Toni en famille” lança a questão se “Há vida além de ser mãe?” num registo entre a comédia social e o filme íntimo familiar, estando agora Camille Cottin no epicentro da história como uma mãe de cinco filhos que tem a ambição tardia de voltar a estudar.

Cantora com alguma fama na década de 2000, mas agora longe da ribalta, Camille foi arrastada para esse mundo pela mãe, preterindo os estudos. Com cinco filhos pré-adolescentes e adolescentes, ela vai vivendo com condições financeiras limitadas, captando o cineasta todas as tensões entre a mulher e os filhos, cada qual com os seus problemas pessoais numa idade onde as mudanças corporais, dúvidas sobre a entrada no mundo adulto e revelações pessoais sobre a sua identidade (sexual, mas não só) fazem parte do cardápio.  Absorvida completamente pelo trabalho (agora como cantora de restaurantes e despedidas de solteiras), Toni não tem grande tempo para ela, e passa o seu dia entre o papel de condutora dos filhos para todo o lado, reuniões urgentes na escola por causa do comportamento dos miúdos, e todo o tipo de tarefas caseiras. No fundo, pouco existe na vida de Toni além da sua tarefa (obrigação?) de mãe, uma sensação que gera desejo por algo mais. Algo verdadeiramente para si.

Reside em Camille Cottin a força natural de um filme que viaja frequentemente entre a comédia e o drama na narração dos pequenos atritos internos familiares, isto enquanto a protagonista procura uma qualquer forma de emancipação, chocando nas barreiras que a própria família lhe impõe (a mãe dela ri-se quando Toni manifesta a vontade de voltar a estudar; os filhos questionam se ela tem dinheiro para isso); mas também as sociais, onde uma pessoa numa idade tardia tem dificuldades em retornar ao mundo dos estudos

Nathan Ambrosioni, num primeiro exercício nas longas metragens, consegue fazer o espectador viajar pela solidão de uma mulher rodeada de miúdos e problemas vindos de todos os lados, captando o desânimo e inquietação de uma “quarentona” que vai usar isso como carburante para uma mudança rumo à liberdade pessoal, na forma de uma decisão tomada por si só e sem os filhos estarem na equação.

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Pontuação Geral
Jorge Pereira
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