
Uma das propostas mais curiosas do Fantasporto 2014 é, sem dúvida, Sparks – um filme de super-heróis sem poderes passado nos anos 40.
O filme é a segunda obra do realizador independente Christopher Folino, que se estreou em 2007 com Gamers, um curioso mockumentary que recolheu críticas muito positivas mas não encontrou sucesso comercial.
Agora com Sparks, Molino espera encontrar um público maior num filme que será lançado este mês nos EUA e tem vindo a ser bem recebido em festivais pelo mundo fora.
O c7nema falou com Folino no dia da estreia do filme em Portugal:
Sparks é um filme de super-heróis não “franchisado” numa cena cinematográfica onde os filmes do género são absolutos colossos comerciais. Como surgiu fazer um filme indie neste registo?
Eu disse à minha mulher quando começamos a fazer o Sparks que o que queria era tentar fazer um projeto pequeno e que não queria saber se o ia conseguir distribuir ou não. Só queria provar a mim mesmo que conseguia. No entanto, quando pedi ajuda a um amigo, o projeto foi crescendo em tamanho e em qualidade. De repente, já tinha o Clancy Brown ligado ao filme.
Sparks foi auto-financiado e todos temos empregos fora de fazer filmes. Felizmente, a paixão faz disto algo especial.
Como foi concebida a personagem de Sparks?
Ele foi escrito em 2007, numa altura de grande frustração pessoal minha. Foi um ano depois de termos feito o meu primeiro filme, Gamers, que apesar de ter tido boas críticas foi um fracasso. Na altura, trabalhava numa empresa onde não tinha perspetivas de futuro.
A ideia de fazer outro filme era fora do meu espetro financeiro, por isso comecei a escrever uma banda desenhada com a ideia de um homem vulgar sem poderes que tentava lutar o crime sem sucesso. Surgiu-me com naturalidade.
Isto levou ao conceito de Sparks: e se alguém com poderes reais não os quisesse usar para ajudar ninguém?
Outros heróis indie como Super foram uma inspiração? Quais foram as tuas referências?
Eu vi o Super e os dois Kick-Ass e gosto imenso deles. No entanto, a banda desenhada do Sparks e do Kick-Ass saíram no mesmo ano: 2008. Foi interessante ver a corrente de publicações sobre gente sem poderes que eram heróis na mesma.
Como o Sparks se passa nos anos 40, procurei inspirações mais de época: uma espécie de film noir com superpoderes. Adoro o The Third Man, D.O.A. e o Casablanca, são grandes influências.
O filme vai sair agora nos EUA em video-on-demand e em alguns festivais pelo mundo fora. Que esperam do seu lançamento?
Estou contente por ter gente fora dos EUA a ver o filme. Isso nunca aconteceu com o Gamers. Estou curioso para ver as reações. Para além disso, espero que com o VOD consigamos recuperar o dinheiro investido e pagar aos atores como deve ser.
Este filme funciona como uma continuação do trabalho feito em Gamers?
O Gamers era um mockumentary cómico para um público adulto. O Sparks também é algo negro, mas é ficção. No entanto, quando escrevi tinha o Gamers como uma grande referência.
Por exemplo, há uma cena onde o Ian e a Lady Heavenly passam de carro por uma teatro com um musical do Gamers!
Conheces o Fantasporto e Portugal?
Descobri por acaso que o Sparks estava em competição no Fantasporto numa pesquisa do Google. O nosso distribuidor tinha se esquecido de nos avisar. Por isso foi impossível irmos ao festival e a Portugal. É um país que adorava conhecer. Espero um dia ir e ter a oportunidade de agradecer pessoalmente ao Mário Dorminsky que se revelou espectacular neste curto período de tempo.

