Morreu o realizador argentino Luis Puenzo

(Fotos: Divulgação)

Convocado para falar, mesmo depois de reformado, sempre que o governo de Javier Milei se mostrava hostil ao cinema, Luis Puenzo (19 de fevereiro de 1946 – 21 de abril de 2026) saiu de cena em pleno auge da 27.ª edição do maior festival do seu país, o BAFICI, ao morrer de falência múltipla de órgãos na manhã desta terça-feira. Tinha 80 anos. Tinha um Óscar. Foi dele a primeira estatueta que a Academy of Motion Picture Arts and Sciences atribuiu à Argentina, há quatro décadas, por La Historia Oficial (1985), um êxito de público e crítica. Em 2025, em plena maratona cinematográfica anual de Buenos Aires, o seu maior sucesso voltou ao ecrã, na sala Gaumont, para sessões comemorativas e para reflexões sobre o fim da ditadura no país.

O cinema que hoje se faz na Argentina, com nomes como Lisandro Alonso, Lucrecia Martel e Laura Citarella, deve muito à estabilidade que Puenzo ajudou a consolidar na economia cinematográfica da sua nação, em meados dos anos 1980, ao ser nomeado à Palma de Ouro do Festival de Cannes com La Historia Oficial (1985). Saiu da Croisette com o prémio do Júri Ecuménico. A partir daí, encadeou uma série de trabalhos no estrangeiro. Filmou Gregory Peck (1916–2003) e Jane Fonda em Gringo Viejo (1989), com base num romance do escritor mexicano Carlos Fuentes. Em 1992, concorreu ao Leão de Ouro do Festival de Veneza com La Peste (1992), reunindo William Hurt (1950–2022), Raul Julia (1940–1994) e Robert Duvall numa adaptação do romance homónimo de Albert Camus (1913–1960). Mais tarde, alcançou notoriedade na Europa com La Puta y la Ballena (2004), protagonizado por Aitana Sánchez-Gijón. Na sequência, passou a dedicar-se sobretudo à produção, com exceção de alguns trabalhos para televisão. Foi também muito ativo no Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA).

Puenzo morreu rodeado pela família e deixa à filha, Lucía Puenzo, realizadora de XXY (2007), o legado de uma das vozes autorais mais influentes do cinema argentino.

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