Ricardo Darín lidera em San Sebastián o gangue dos “lesados” da cooperativa

(Fotos: Divulgação)

La Odisea de los Giles está na Seleção Oficial do Festival fora de competição.

A história é na Argentina, mas podia ser bem aqui (pensem nos chamados lesados do BES). Um grupo de cidadãos de uma pequena cidade investe todo o seu dinheiro no sonho de reabrir a grande empresa agrícola do local. Feitas as contas, são mais de 150 mil dólares investidos honestamente e seguindo as regras, isto numa Argentina em Bancarrota. Trafulhices e informação privilegiada levam um homem, Manzi (Andrés Parras) a conseguir reunir todos os dólares depositados num banco, os quais foram colocados na instituição por esses cidadãos, que os viram convertidos em pesos. No dia seguinte a esse depósito, a moeda transforma-se num enorme zero e os nossos “perdedores” (losers) em apenas mais uns enganados por falsas promessas da banca. Safa-se Manzi que, logo após esse depósito em dólares, o levanta a troco dos pesos que no dia seguinte não valeriam mais nada. Um crime perfeito” que vai arruinar o grupo, com consequências inimagináveis para as suas vidas e famílias. Será que é altura destes homens e mulheres honestos se virarem contra o golpista? É…

Nasce então um plano, ao nível dos melhores heist movies, aqui de clara (e assumida) referência em Como Roubar Um Milhão (1966), que colocava lado a lado Audrey Hepburn e Peter O’Toole no epicentro de um golpe. La Odisea de los Giles – baseado no livro La noche de la Usina, de Eduardo Sacheri – tem a sua mensagem política e acima de tudo moral, mas assenta assumidamente numa estrutura de comédia não tão diferente de Un Conto Chino, filme que colocava igualmente Darín às ordens de Sebastián Borensztein.

O seu ritmo revela fluidez, as piadas tanto surgem no texto como nas personagens diversificadas, construídas nos cânones da comédia excêntrica e burlesca sem perder um sentido de realismo e humanidade, acabando todas por serem memoráveis nas suas pequenas ou maiores participações. Outro aspeto curioso é a reunião no grande ecrã entre Ricardo e Chino Darín, o seu filho, que aqui assume igual papel.

Na Argentina, o filme já ultrapassou um milhão de espectadores e em Espanha, mais propriamente em San Sebastián, conquistou as gargalhadas do público. Mais um sucesso de Darín num festival que há dois anos atrás lhe deu a sua grande distinção: o prémio Donostia.

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