O brilho feminino em San Sebastián

(Fotos: Divulgação)

As mulheres conquistam a La Concha.

Nina Hoss no papel de uma problemática violinista (Das Vorspiel – The Audition), Belén Cuesta como a companheira de um homem enclausurado mais de 30 anos após o estalar da Guerra Civil Espanhola (La Trinchera Infinita), Hind Sabri como uma “adúltera” a espera do divórcio do seu marido prisioneiro (Nora’s Dream), Susan Sarandon como uma doente terminal (Blackbird), Eva Green como uma astronauta prestes a embarcar numa missão espacial (Proxima), a jovem pintora interpretada por Noémie Merlant e a sua “musa”, Adèle Haenel (Portrait de la jeune fille en feu) e Catherine Deneuve como uma atriz envelhecida e cínica às turras com a filha e com a produção de um filme sobre si mesma, brilharam nas telas Bascas nestes primeiros dias do certame.

O festival ficou ainda marcado pela exibição do documentário Delphine et Carole, insoumuses, obra estreada em Berlim, mas presente em San Sebastian, e que acompanha a dupla (a atriz Delphine Seyrig e a documentarista Carole Roussopoulos) na luta pelos diretos das mulheres dos anos 70 até há perto de 10 anos atrás, quando Carole faleceu. Um documento essencial, até porque como nos explicou a realizadora Callisto McNulty, “a luta pelos direitos das mulheres é um processo contínuo e não localizado com mais ou menos intensidade numa ou outra era“.

Nota ainda para De Ji e a sua personagem em Lhamo and Skalbe, ligada a fábulas e histórias antigas do Tibete, mas repleto de contemporaneidade num território invadido pelas leis e tradições chinesas. No filme ela desempenha o papel de uma mulher com um segredo por revelar que se quer casar com um homem atualmente unido pelo matrimónio. Um filme sobre o “amor” e como este supera tudo, dentro de um quadro onde diferentes tradições, culturas e até pensamentos geracionais diferentes se cruzam.

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